10/01/2012

ARTIGO DA SEMANA: BRASIL, UM GRANDE MERCADO FINANCEIRO

Existem quatro grandes mercados que funcionam na economia capitalista: o de crédito, o  de capitais, o de moeda nacional e o de câmbio.

O mercado de crédito nesse momento atual está em turbulência e deve andar de lado por um bom tempo, até as coisas se acertarem no sistema capitalista. O dinheiro até que existe, mas pela desconfiança dos agentes, ninguém quer emprestar a ninguém, com medo de calote.

O mercado de capitais, nem se fala. As  bolsas mundiais e brasileiras não param de cair e ninguém consegue medir o fundo do poço.

Portanto, apesar de muitos analistas dizerem que a hora é de entrar comprando, poucos se arriscam em tal movimento, esperando o mercado se equilibrar - o que ainda não ocorreu.

Sobre o mercado de moedas nacionais, podemos inferir que o nosso Real sofre com a saída de dinheiro de nosso País e a autoridade monetária (Banco Central) tem constantemente vendido dólar para segurar a valorização do mesmo em relação à moeda americana.

E tome reservas nacionais.... Além disso, nossa moeda ainda não é conversível em relação às demais moedas fortes no sistema mundial, o que demonstra nossas fraquezas  e falta de soberania.

O outro mercado é o de câmbio, que significa a troca de moeda nacional por outras. Nesse momento, muitas organizações  querem fazer um ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) para cumprir os contratos de exportação e têm encontrado sérias dificuldades de fechar essas linhas.

Apesar de o câmbio ser flutuante, o Banco Central tem entrado continuamente no mercado e segurado a desvalorização do Real em relação ao dólar. Muitas empresas brasileiras que apostaram na contínua desvalorização do dólar, estão precisando - e muito - dessa ajuda.

O Brasil está num momento delicado, pois esperava ter um crescimento sustentável e tal fato será anulado pela crise mundial - que atingiram nossas exportações  e também as importações.

Devo dizer que o atual presidente do Banco Central conhece profundamente o mercado, sabe que o momento é delicado e que não pode errar a mão... Vai existir, em breve, uma reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ele preside. Fica, então,  a  pergunta que não quer calar: Vai parar o aumento da taxa de juros brasileira, que é a maior do mundo (recorde que não nos deixa nada felizes...)?

Caso essa resposta seja positiva, deveremos ter um maior volume de crédito que já iniciou com a diminuição do depósito compulsório,  que injetou mais crédito na economia, se o governo conseguir diminuir o empoçamento do dinheiro.

Um exemplo disso é o banco ficar com mais dinheiro e, em vez de emprestar, comprar títulos do governo, tais como LTN´s (Letras do Tesouro Nacional).

O que não ajuda muito na melhoria do crédito do País. O grande problema é que o Brasil tem bancos saudáveis com poder na participação do PIB nacional e que ficarão mais fortes ainda após essa crise.

Sendo assim, essa concentração pode ser maléfica, pois as taxas de juros cobradas pelos mesmos são extremamente altas e, consequentemente, seus ROIS (Retornos Sobre os Investimentos) são bem consideráveis.

Os bancos alegam que os juros são altos porque a inadimplência está no mesmo patamar, mas não será a inadimplência alta por que os juros também o são? É o famoso dilema da Tostines... Entra governo e sai governo, pagamos juros altíssimos. E eles estão assim porque o governo também gasta muito, portanto???

 Parece que estamos praticando o Famoso FEBEAPÁ de Stanislaw Ponte Preta: se correr o bicho pega e, se ficar, o 'juro bicho' pega também... E tome juros!! Portanto o mercado tem seus fundamentos, mas aqui nem a frase que estava na Constituição Federal dizendo que os juros poderiam ser de no máximo 12% ao ano, se manteve lá.

E você percebe que têm bancos que cobram de cheque especial essa taxa ao mês e valores até maiores que o mesmo. No cartão de crédito, idem.

Vejo bancos oferecendo adiantar o 13º salário por uma taxa mensal de 3,5% ao mês e percebo que muita gente faz essa operação. Tem jeito, isso?? Acho que apenas quando conseguirmos uma economia em que os setores industrial, rural e de serviço possam atuar de maneira conjunta e ajudar na mudança dessas taxas.

E quem quiser, e puder, melhor não comprar e nem pegar dinheiro adiantado com elas...

 

 

* Robson Paniago é Doutor em Ciências Empresariais pela Universidad del Museo Social Argentino, Coordenador do  Curso de Administração do UNISAL – Campinas e Professor de graduação e MBA da FGV. Sócio - diretor da CONSULTEE – www.portalconsultee.com e da CEC – www.cecapivari.com.br. Palestrante, Articulista do Jornal de Jundiaí e Consultor.

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