24/01/2012

ARTIGO DA SEMANA: O SILÊNCIO DOS INOCENTES.

Esse fim de ano foi bastante agradável e tive visita dos meus familiares que vieram participar do meu casamento e tive filhos, irmãos, sobrinhos etc. em minha casa o que muito me alegrou e também me deixou preocupado.

 

Meu irmão me chamou atenção que as pessoas não conversam mais e contam "causos" como nos fazíamos em nosso tempo de adolescente e continuamos fazendo.

 

Todos tinham computador, tablet, celular ou coisa que o valha e não se ouvia e nem se discutia nenhum assunto. Aliás, as discussões eram feitas entre pessoas lado a lado via computador e ninguém expressava nada via oral!!!

 

Devo dizer que fiquei preocupado com o tempo que a geração posterior a minha se dedica ao computador e a sua não disponibilidade ao diálogo franco, aberto e fundamental entre as pessoas.

 

Pensando nisso fiquei imaginando como serão os namoros nessa geração e percebi que o "ficar" é resultado de uma geração que não sabe e nem quer mais conversar e apenas tem relações virtuais e algumas rápidas relações reais.

 

Fiquei preocupado como será no futuro as relações de pessoas que não tem paciência e nem o tato de saber o quanto é bom dialogar, trocar opiniões, discutir com pessoas queridas e trocar energias, no bom sentido da palavra.

 

Ficar para mim é algo muito estranho e deveras vazio e muito sem sentido. Você conhece uma pessoa, beija, tem relações até sexuais e cada um hedonisticamente volta pro seu mundo virtual e o que passou, passou...

 

Espero que isso seja estudado pelos cientistas e que consigamos encaminhar esses jovens para relações mais sedimentadas, com carinho, diálogo e menos virtualidade.

 

Percebo também que todo e qualquer problema ficamos (e me incluo nesse grupo) de ver no Santo Google e o mesmo resolve nossos problemas. Será que o Santo Google arruma uma "ficante" que fale mais dedilhando no computador e menos cobrança no mundo real.

 

Será que teremos uma geração acostumada com relações virtuais e que não se preocupa tanto com manter uma relação de tato, fala e mais profundidade nas mesmas?

 

Será que estou ficando fora do contexto e virando efetivamente um dinossauro que pateticamente adora jogar conversa fora, namorar, conversar muito e ser mais presente no dia a dia da família.

 

Para não me tornar um dinossauro-careta estou imaginando montar uma coleção de Administração em forma de e-book, para que possa trazer informações para essa geração silenciosa.

 

Esse silêncio me incomoda e gostaria de saber se inocentemente terei que me adaptar aos novos tempos e apreender algo com eles como venho aprendendo com as pessoas antes da minha geração.

 

Vejo filhos que respeitavam demais seus pais e avós (meu caso) pedindo benção quando os viam e em sinal de respeito beijavam os mesmos e agora, para minha surpresa vejo filhos mandando em pais que trabalham muito e que, até por consciência pesada deixa esses filhos inverterem a ordem das coisas.

 

Dizem que a geração de hoje quer subir muito rápido e não respeita hierarquia e percebo que muitas organizações até por medo ou falta de comando aceita isso e diz que temos que adaptar aos novos tempos.

 

Mas será saudável aceitar isso passivamente? Ou os dinossauros-caretas podem contrabalançar as gerações e fazer um mix de gerações.

 

Cobrar um pouco mais e disciplinar entradas no computador etc. deve ser um dos caminhos ou vamos ficando e virtualizando tudo, até a relações? Quem viver verá......

 

* Robson Paniago é Doutor em Ciências Empresariais pela Universidad del Museo Social Argentino, Coordenador do  Curso de Administração do UNISAL – Campinas e Professor de graduação e MBA da FGV. Sócio - diretor da CONSULTEE – www.portalconsultee.com e da CEC – www.cecapivari.com.br. Palestrante, Escritor, Articulista do Jornal de Jundiaí e Consultor.

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