27/02/2012

Investimento de R$ 30 bilhões para Belo Monte.

Editada pela Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), através da sua Rede de Desenvolvimento de Fornecedores (Redes), a revista Pará Investimentos, já em sua terceira edição, projeta números grandiosos para o Estado, em termos de investimentos e geração de empregos, para o próximo quinquênio. No período que vai de 2012 a 2016, segundo o levantamento da Fiepa, os investimentos públicos e privados no Pará vão totalizar R$ 129,619 bilhões. Desse montante, mais da metade (52,68%) vão ser investidos na região de Carajás, contra 24,53% na região do Tapajós e 22,79% na Grande Belém.

O grande volume e o ritmo desses investimentos, num período de tempo relativamente curto, vão proporcionar uma formidável expansão do mercado de trabalho. O estudo da Federação das Indústrias projeta a criação, até 2016, de 161.752 novos postos de trabalho em todo o Estado, sendo 76.739 (47,44%) na Grande Belém, 64.913 (40,13%) na região de Carajás e 20.100 (12,43%) na região do Tapajós, no oeste paraense. Além de gerar empregos, essa inversão maciça de capitais vai criar também múltiplas oportunidades de negócios, turbinando a economia paraense e propiciando a germinação de novos empreendimentos em todos os setores de atividade.

Para dar uma ideia das amplas e generosas perspectivas que se abrem no Pará, o estudo da Fiepa faz referência ao projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Dos cerca de R$ 30 bilhões de investimentos projetados para a obra, R$ 3,2 bilhões serão destinados ao atendimento das condicionantes socioambientais, sendo R$ 500 milhões somente para o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu. Esses investimentos abrangem ao todo 106 obras dentro da área de influência direta do complexo hidrelétrico, contemplando principalmente as áreas de saúde, educação, saneamento básico e infraestrutura.

OUTRO LADO
Observados à primeira vista, números tão portentosos podem passar a falsa impressão de que o desenvolvimento econômico e social do Pará já é um dado da realidade, caindo por inércia no colo dos paraenses e tornando pois dispensável o empenho do poder público, dos agentes econômicos e da própria sociedade. Isso não é verdade. Há doze anos, um esforço contínuo vem sendo desenvolvido conjuntamente pelo Governo do Estado, pela Fiepa e por um pool de grandes empresas, capitaneadas pela Vale, no sentido de criar as condições favoráveis para internalizar, no próprio Estado, as vantagens proporcionadas por esses investimentos, promovendo aqui dentro a criação de empregos, a geração de renda e a circulação de riquezas.

No ano 2000, quando foi lançado o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), as compras feitas no Pará – em serviços, materiais e equipamentos – não passavam de 19%. No ano passado, decorridos apenas 15 anos, a Rede de Desenvolvimento de Fornecedores (Redes), como agora se denomina o programa, contabilizou percentuais muito mais favoráveis, com um salto para 51% das compras realizadas no Estado. Para Luiz Pinto Júnior, coordenador da Redes, a mudança de patamar deve ser considerada um fato histórico, sobretudo quando se leva em conta os níveis de exigência, em preços e qualidade, estabelecidos pelos grandes projetos. Níveis que, no Pará, eram reconhecidamente baixos quando se iniciou todo esse processo.

52,7% dos investimentos públicos e privados no Pará até 2016, no total de R$ 129,619 bi, vão ser investidos na região de Carajás.

161 mil novos postos de trabalho devem ser gerados por esses investimentos em todo o Estado. Desses empregos, 76.739 (47,44%) podem ser criados só na Grande Belém.

Fornecedores: 80% das compras ainda são fora do Pará

O presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José Conrado Azevedo Santos, está obviamente satisfeito com esses números, mas acha que eles podem ser melhorados e já vem trabalhando com esse objetivo. Ele disse que um diagnóstico feito pela Redes, junto a 160 fornecedores, constatou que 80% de suas compras estão sendo realizadas fora do Pará. Esse número é particularmente preocupante, conforme frisou, porque se trata de empresas paraenses ou de filiais estabelecidas aqui, todas cadastradas pela Redes e capacitadas pelo programa para o atendimento de demandas dos grandes projetos.

José Conrado observou que a filosofia que vem norteando o programa, desde que ele começou a operar com vistas ao desenvolvimento de fornecedores, há doze anos, foi sempre o de diagnosticar as demandas, avaliar o que o mercado tem para oferecer e capacitar as empresas, os trabalhadores e as próprias entidades de classe para o atendimento mais amplo possível. A partir do momento em que os próprios fornecedores locais deixam de observar esse conceito, segundo ele, rompem-se os elos da cadeia e ela perde capilaridade, fragilizando o setor empresarial e predispondo o Pará a perdas de empregos, de impostos e de riquezas.

O presidente da Fiepa observou também que o próprio Governo do Estado, que classificou como “um parceiro muito importante da Federação no lançamento do PDF e ao longo de sua execução”, deve mostrar uma sintonia maior com a filosofia do programa. Essa avaliação resulta, conforme esclareceu José Conrado, de relatos feitos por dirigentes de sindicatos da indústria, segundo os quais algumas secretarias vêm fazendo compras de produtos e serviços fora do Pará.

“Nós sabemos que o governador Simão Jatene é um administrador atento aos interesses do Estado e particularmente interessado em promover o desenvolvimento”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias. E acrescentou: “Acreditamos, por isso, que ele vai unificar os procedimentos nas diversas Secretarias e em toda a máquina pública e exigir com mais ênfase o engajamento a essa política que não é só nossa, do setor produtiva, mas também do governo estadual”.

Fiepa: próprio poder estadual precisa comprar em casa

O Cadastro Industrial do Estado, em edição revista e atualizada, deverá ser lançado ainda este ano pela Federação das Indústrias e a expectativa é de que venha a fortalecer a filosofia da Rede de Desenvolvimento de Fornecedores. Ao dar a informação, o presidente da Fiepa, José Conrado Azevedo Santos, destacou que as grandes empresas que operam no Pará, a rede de fornecedores e o próprio poder público poderão utilizar o cadastro como fonte de consultas.

O ideal, conforme frisou José Conrado Azevedo Santos, é que as demandas possam ser antecipadas. Nas relações entre empresas, quando houver alguma dificuldade, uma ação conjunta da Rede de Desenvolvimento de Fornecedores e do próprio Governo do Estado, quando for o caso, poderá remover os eventuais embaraços. Já no tocante ao setor público, ele considera que é importante, para o setor produtivo, conhecer com alguma antecedência os bens e serviços que o governo planeja adquirir ou contratar.

Para o atendimento de demandas na área de comércio e serviços, o presidente da Fiepa considera que um prazo de aproximadamente 90 dias possa ser suficiente para que as empresas locais se capacitem. Já no tocante à demanda industrial, ele acredita que será necessário um prazo de seis meses a um ano, inclusive dando tempo às empresas para que elas se organizem em consórcios, quando essa solução for conveniente. “A própria agenda mínima do governo pode ser usada como referência, talvez apenas com um nível maior de detalhamento”, aduziu.

Para isso, destacou José Conrado que o Estado precisaria adotar “com mais ênfase postura e direcionamento” a política de fornecedores, estabelecendo inclusive metas corporativas para a realização de suas compras no mercado local. Ele destacou que o programa já exclui, conceitualmente, qualquer viés de privilégio ou assistencialismo. “O que se quer é competitividade.

O atendimento de demandas por fornecedores locais traz múltiplas vantagens, como rapidez nas transações, possibilidade de custos menores e eventualmente melhores condições de pagamento”, finalizou.

Fonte: Diário do Pará

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