14/03/2012

ARTIGO DA SEMANA: O FIM DO REINADO.

Assistir a despedida do Ricardo da Teixeira da CBF é algo deprimente e também um espetáculo de profunda decepção.
Ele durante 23 anos reinou absoluto sobre o futebol brasileiro e fez e desfez das torcidas e dos times de futebol. Mais interessante do que isso é perceber que apesar de sabermos que o mesmo tem culpa no cartório, todos tem a sensação de impunidade e que nada vai acontecer.
Ele finge que não sabe de nada e as autoridades fingem que ele não é culpado de nada e para o sofrimento do povo ele está mudando para Miami de mala e cuia e todo o dinheiro amealhado nesse reinado do nosso futebol.
Mas como toda ópera não é perfeita, deixa  no lugar dele deixou um cidadão acima de qualquer suspeita, que subiu na vida sendo ajudado por Maluf e outras figuras bem queridas do país que mandam e não dos que obedecem.
Esse escriba no seu livro denominado TGA – MADE IN BRAZIL falou que os clubes de futebol deveriam se transformar em S/A – Sociedades Anônimas e serem administrados de forma profissional.
Vejo que os times hoje tem diretores de marketing atuando e também diretores financeiros e essa profissionalização seria benéfica para o esporte nacional e para os clubes e, por que ela não acontece?
Por que o interesse de uma minoria prepondera sobre o da maioria que labuta e que mesmo assim, arranja tempo e dinheiro para torcer e participar dos jogos do time do seu coração.
Isso se denomina de paixão. E existem razões que a própria razão desconhece e paixões que a própria desconhece também.
Como profissionalizar se todos os times tem dívidas com a previdência e se os pagamentos feitos não são demonstrados através de balanços e demonstrativos de resultado, documentos esses bem comuns em S/As.
Para que desse certo essa tentativa de profissionalização seria necessário que não aceitassem essa perpetuação no cargo e que houvesse mudanças na maneira de administrar o futebol, os clubes e respectivos associados.
O Brasil sempre ficou refém de pessoas autoritárias (vide Getúlio Vargas) que entra numa organização e vai se perpetuando no poder e depois não querem deixar ninguém mais ocupar o seu cargo.
Será um ranço dos nossos colonizadores? Será uma falta de vontade total de ocupar os espaços e democratizar os cargos ou será  a eterna percepção de sermos insubstituíveis na medida em que estamos em cargos de direção?
O Brasil precisa aprender com o Brasil que a alternância de poder é algo desejado e também produtivo para os negócios, futebol e a vida pessoal.

Colunista: Robson Paniago é Doutor em Ciências Empresariais pela Universidad del  Museo Social Argentino e Doutorando em Administração pela UNIMEP, Coordenador do  Curso de Administração do UNISAL – Campinas e Professor de graduação e MBA da FGV. Sócio - diretor da CONSULTEE – www.portalconsultee.com e da CEC – www.cecapivari.com.br. Palestrante, Articulista do Jornal de Jundiaí e Consultor.

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