02/03/2012

Poupar ou Gasta? Eis a Questão!

Este artigo tem como objetivo demostrar a importância do Planejamento Econômico para uma vida Financeira saudável e equilibrada. Além disso, evidencia também de que poupar e gastar não preciso andar em lados opostos, e isso só depende da nossa disciplina em relação ao dinheiro.

Em um passado não muito distante vivíamos uma época em que a única opção que tínhamos era gastar, pois os preços oscilavam todos os dias. Era impossível prever quanto se iria gastar. A cada dia tudo era vendido a um preço diferente. Durante as décadas de 1980 e 1990, esse movimento de alta nos preços ficou conhecido como Inércia Inflacionária, o que causava uma perda do poder aquisitivo. Como forma de controlar a inflação vários planos econômicos foram criados. Quem não se lembra dos Planos Cruzado, Collor e Verão? Para ser ter uma ideia no final dos anos 80 e início dos anos 90, os índices inflacionários chegaram a mais de 80% ao mês.

   Foi somente com o Plano Real, em 1994, iniciado com o Presidente Itamar Franco e consolidado com o Presidente Lula, que o fantasma da inflação parece ter chegado ao fim. A estabilidade da moeda foi conquistada com uma série de medidas: política da taxa de juros e controle do câmbio. Com a inflação baixa o trabalhador voltou a ter poder de compra e, mais que isso, a possibilidade de projetar o futuro através da organização e da previsibilidade das contas familiares a partir do planejamento financeiro. Contudo, o que se percebe é que não sabemos nos planejar financeiramente e, muitas vezes, os descontroles dos gastos pessoais, as contas no vermelho, além de gastos excessivos ou desnecessários, endividamento desenfreado e descontrole no uso do cartão de crédito são alguns desafios comuns a muitos brasileiros de todas as classes sociais. Equilibrar as finanças pessoais e até mesmo a educação financeira são fundamentais para a manutenção de uma vida financeira saudável no presente e para futuro. Para isso, é necessário que comecemos a tomar algumas posturas importantes em relação ao dinheiro.

       Poupar ou gastar? Eis a questão! A primeira regra básica é nunca gastar mais do que se ganha. Por mais clichê que seja, é necessário que tenhamos isso em mente. Uma ferramenta simples que podemos utilizar é fazer um orçamento de nossas despesas através de uma planilha que liste todos os gastos mensais, como aluguel, financiamento, condomínio, conta de energia elétrica, água, telefone, internet, lazer, alimentação, entre outros. Dessa forma, podemos comparar todos os gastos com a remuneração mensal. A planilha auxilia, ainda, a visualizar quais itens estamos gastando mais e com o quê, e os endividamentos a curto e longo prazos, facilitando o planejamento. Em sites como www.organizze.com.br e www.coreconpara.org.br há planilhas disponíveis para o seu uso. Basta fazer o download e mãos a obra. Vale lembrar que é necessário que se tenha disciplina, pois sem saber exatamente quanto se gasta por mês e para onde o dinheiro está indo é pouco provável que sobre alguma coisa até o final do mês, ou mesmo para poupar.

E por falar em poupar, o ideal é que se guarde parte dos seus ganhos, podem ser 5% ou 10% em uma conta poupança. É você quem determina, pois só você conhece suas necessidades e anseios. Essa postura ajudará no futuro, caso venha a precisar de uma quantia em qualquer eventualidade, pois os juros de cheques especiais, cartão de crédito e empréstimos ainda são as piores formas de endividamento, já que os juros podem chegar a até 10% ao mês. É importante ressaltar que o uso do cartão de crédito vale para parcelas que não acrescentam juros, e a fatura deve ser sempre paga na data do vencimento sem financiar parte alguma.

Sempre que puder, prefira pagar a vista ou em menos parcelas possíveis. Estipule metas financeiras a curto, médio e longo prazo. Escreva as coisas que você pretende conquistar. As metas claras e definidas o ajudarão, a saber, se você está vivendo como planejou.

A intenção não é parar de consumir, mas consumir de forma consciente e planejada, uma vez que o cenário econômico do país tem permitido a aquisição de bens de consumo que, em um passado não muito distante, eram impossíveis de serem adquiridos por uma grande parcela da população. Ao iniciar o exercício do orçamento doméstico, muitas pessoas se assustam. O retrato que aparece não é tão bom como se quer. Quantas pessoas perdem seu crédito, transformam suas dívidas em uma verdadeira "bola de neve"? Poupar e gastar não precisa andar em lados opostos e muita menos uma excluir a outra. Podem e devem andar ao mesmo lado, e isso só depende de nossas condutas e disciplina em relação ao dinheiro.

 

* Guaraciaba Sarmento atua como Economista na área de captação de Recursos financeiros para empreendimentos e é Consultora Organizacional em treinamento e desenvolvimento de Pessoas. Possui uma coluna quinzenal no jornal Popular (Pará), sobre Empreendedorismo e Economia.

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