18/05/2012

GESTÃO E CARREIRAS: Um quase ensaio sobre a cegueira.

A palavra cegueira está formatada na maioria das mentes humanas como algo
ligado ao corpo biológico ou físico, como alguns preferem. Poderia ser descrita
como a perda ou redução grave, de um dos sentidos mais importantes: a visão.
É um tanto quanto óbvio afirmar que é através dela que mais nos conectamos
com o mundo, mas, ao mesmo tempo, é importante ressaltar essa informação.
Até mesmo para que ela possa receber a atenção necessária.
 
Também não podemos entendê-la como uma imperfeição e muito menos como
uma punição: o Engenheiro lá de cima não permitiria isso. Se mudarmos o foco,
é  possível  entende-la  como  uma  oportunidade  de  crescimento,  resiliência  e
superação. Galileu Galilei, Louis Braille, Andrea Bocelli confirmam  isso.   Você
também  conhece  alguém  com  deficiência  visual,  menos  famoso,  mas  que
também é um exemplo de vida. Não é verdade?
 
O meu  intuito, entretanto, não é  falar sobre a cegueira biológica. Este artigo é
sobre a cegueira relacional. Isso mesmo: cegueira relacional. Desconhece esse
termo? Normal. Achou estranho ou  impossível que ocorra? Se  isso acontece,
em minha opinião, já pode ser um forte indício deste tipo de cegueira. 
 
Sem recorrer a muitos detalhes ou a preceitos científicos, a cegueira relacional
poderia  ser definida  como uma  incapacidade de  tomar  contato  com algo que
vai  além  da  visão  e/ou  da  compreensão  cotidiana,  causada  por  um
encantamento,  por  exemplo.  E  não  pensem  que  esta  situação  é  difícil  de
ocorrer: acontece rotineiramente.
 
Quantas  vezes  já  ouvimos  falar  de  profissionais  que  estão  desenvolvendo
excelentes  trabalhos em determinada empresa e então,  são  convidados para
atuarem  em  outra  instituição  (muitas  vezes,  até  concorrentes)  e  rapidamente
fazem o seu desligamento e se decepcionam no novo emprego?
 
Esse é um clássico exemplo da tal cegueira, pois, possivelmente os olhos que
vislumbravam os benefícios estavam bem abertos, mas, os que deviam ter um
olhar  mais  abrangente  e  que  considerasse  também  os  riscos,  estavam
impossibilitados de enxergar.
 
Outro dia  tomei conhecimento de uma determinada empresa, na qual, um seu
diretor contratou um gerente de vendas, apenas por sua formação acadêmica. 
O  candidato  se  perdia  na  quantidade  de  certificados  que  apresentou.  Neste
caso  o  encantamento  foram  os  documentos  que  cegaram  o  tal  diretor.  O
resultado foi drástico.
 
E os exemplos não param por ai. 
 Quando um  candidato participa de um processo  seletivo, gostaria de  receber
um retorno, mesmo que apenas agradecendo a sua participação no processo.
Mas, a grande maioria nunca irá receber nenhum retorno. 
 
A cegueira relacional, neste caso, está no responsável pela seleção que pode
criar uma  série de alegações e não dar  retorno. Temos o hábito de mudar a
nossa maneira de agir apenas após vivermos situação semelhante. Será que o
selecionador vai precisar passar por uma seleção, ficar ansioso e não receber
resposta  para  poder  mudar?  Convenhamos:  enviar  uma  mensagem  pré-
formatada não custa tanto tempo ou dinheiro que não possa ser realizado. Uma
possibilidade para essa cegueira ocorra é que o selecionador crie um modelo
mental onde ele fortaleça algumas  ideias que, de alguma forma, desconsidere
o candidato, quando deveria acontecer o contrário.
 
Outra situação onde a cegueira relacional está se solidificando cada vez mais,
é a que se  refere ao contato do profissional com o seu próprio corpo. Muitas
vezes o corpo está clamando por atenção, sinalizando de diversas maneiras,
mas,  criamos  alguns  impedimentos  para  não  ver  as  mensagens  que  estão
sendo enviadas.
 
Neste caso, focamos apenas em um aspecto: o trabalho em si. E esquecemos
que,  para  trabalharmos  precisamos  estar  bem  em  todos  os  aspectos:  físico,
mental, intelectual, espiritual, etc. Logo, precisamos estar de olhos bem abertos
para todos eles.
 
É  importante deixar  registrado que o  intuito deste artigo não é desmotivar os
profissionais  para  que  evitem  outras  oportunidades  de  trabalho  ou  que  os
lideres  desconsiderem  a  formação  acadêmica  dos  candidatos, mas  que  eles
reduzam  a  cegueira  relacional  ampliando  a  sua  visão,  vendo  o  centro  e
também a periferia da situação. 
 
Tempo  atrás havia  um  comercial  de  tv  que  afirmava:  "não  que um  cego  não
possa ser feliz, mas é bem melhor ser feliz vendo tudo". Então, motive-se. Veja
bem, veja mais e seja feliz.

COLUNISTA: Odilon Medeiros – Consultor em gestão de pessoas e palestrante, Mestre
em  Administração,  Especialista  em  Psicologia  Organizacional,  Pós-graduado
em Gestão de Equipes, MBA em Vendas Contato: om@odilonmedeiros.com.br
/ www.odilonmedeiros.com.br / http://odilonmedeiross.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante para nós. Após comentar divulgue o blog do Clube de Administração para seus amigos.