13/08/2012

ARTIGO DA SEMANA: Campo das Doenças do Trabalhador.

Falar da construção do campo das doenças do trabalhador demonstra que este  estudo é vasto e abrange conhecimentos multidisciplinares e se aplica a todas as pessoas envolvidas nas relações laborais, pois o emprego é algo fundamental na vida das pessoas.
                         O contexto atual está profundamente marcado pelos novos modelos de produção, que apelam ao forte envolvimento do trabalhador e pela insegurança no emprego, devido à flexibilidade das formas do trabalho e ao aumento do desemprego.
             Jeremy Rifkin (2004) diz que tal transformação caracteriza uma situação que implica na diminuição tendencial de empregos estáveis e na precariedade de uma proporção significativa da população ativa, que configura a situação de crise do paradigma do emprego estável e protegido.
             Ele está dizendo que cada um se tornará responsável pela sua empregabilidade e também pela quebra de paradigmas. Isso significa que, cada vez mais, será exigido dos administradores e de outros profissionais as competências, habilidades e atitudes que nem todos ainda estão preparados.O modelo de serviço de medicina do trabalho rapidamente expandiu para outros países devido ao acelerado processo de industrialização. A expansão foi potencializada pelos precários ou inexistentes sistemas de assistência a saúde, o que tornou os serviços médicos da empresa essenciais para os trabalhadores e em alguns casos para os seus familiares, o que permitia as indústrias o controle da sua força de trabalho.
 Segundo Fonseca e Gomes (1992)  a Saúde do Trabalhador como o processo de saúde e doença dos grupos humanos, em sua relação com o trabalho, ou seja, compreender como e porque ocorre e busca desenvolver alternativas de intervenção".
 Atualmente na sociedade do conhecimento essas relações continuam em precarização  através da terceirização, contratações informais, empresas autoritárias e várias outras coisas que fazem a fragilidade das pessoas no trabalho acontecerem e , mais do que isso, serem estudadas e entendidas.
             Com isso e na época a presença de um médico nas organizações se tornou algo imprescindível dentro das organizações o que pode ser compreendido com a  Factory Act, de 1833, em que o proprietário de uma fábrica inglesa, descontente com as condições de trabalho de seus pequenos trabalhadores, procurou o médico inglês Robert Baker - que viria a ser nomeado pelo parlamento britânico como Inspetor Médico de Fábrica,  para auxiliá-lo quanto a melhor forma de proteger a saúde de seus operários.
 Baker (1830), conhecedor da obra de Ramazzini e há bastante tempo estudando o problema de saúde dos trabalhadores aconselhou-o a contratar um médico para visitar diariamente o local e estudar a influência do trabalho sobre a saúde dos pequenos operários, que deveriam ser afastados de suas atividades quando notado que estas estivessem prejudicando a saúde dos mesmos. Era o surgimento do primeiro serviço médico industrial em todo o mundo.
 O fato acima veio a culminar em 1831 com um relatório da comissão parlamentar de inquérito, sob a chefia de Michael Saddler, que finalizava com os seguintes dizeres: "Diante desta comissão desfilou longa procissão de trabalhadores - homens e mulheres, meninos e meninas. Abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada um deles era clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores, que quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à capacidade dos fortes".
 O fato acima veio a culminar em 1831 com um relatório da comissão parlamentar de inquérito, sob a chefia de Michael Saddler, que finalizava com os seguintes dizeres: "Diante desta comissão desfilou longa procissão de trabalhadores - homens e mulheres, meninos e meninas. Abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana, cada um deles era clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores, que quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à capacidade dos fortes".
 Em 1833, com o impacto deste relatório sobre a opinião pública, foi baixado o "Factory Act, 1833", a Lei das Fábricas, a primeira legislação realmente eficiente no campo da proteção ao trabalhador, o que junto com a pressão da opinião pública, levou os industriais britânicos a seguirem o conselho de Baker. Neste mesmo ano, a Alemanha aprovava a Lei Operária (1833) estabelecendo os primeiros esforços do mundo industrial de reconhecimento à necessidade de proteção dos operários, fruto das reivindicações dos operários.
 
COLUNISTA: Robson Paniago é Doutor em Ciências Empresariais pela Universidad del Museo Social Argentino e Doutorando em Administração pela UNIMEP, Coordenador do  Curso de Administração e do Curso de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos do UNISAL – Campinas e Professor de graduação e MBA da FGV. Sócio - diretor da CONSULTEE – www.portalconsultee.com e da CEC – www.cecapivari.com.br. Palestrante, Articulista do Jornal de Jundiaí e Consultor.

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