11/09/2012

Demissões na indústria aumentam 90% em Manaus e setor prevê novas perdas.

Somente em agosto, a quantidade de operários que saiu das fábricas foi de 2.453, número 95% maior do que no mesmo mês do ano passado, de 1,2 mil.


Manaus - As demissões no Polo Industrial de Manaus (PIM) alcançaram 16,4 mil pessoas de janeiro a agosto de 2012, um crescimento de 90,7% se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 8,6 mil desligamentos. Os números são referentes às homologações do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetal) e contabilizam apenas os empregados com um ano ou mais de contrato formal.

Somente em agosto, a quantidade de operários que saiu das fábricas foi de 2.453, número 95% maior do que no mesmo mês do ano passado, de 1,2 mil. Com isso, agosto se torna o terceiro maior de 2012 em demissões, atrás apenas de março (2.653) e abril (2.488). 

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Athaydes Mariano Félix, disse não acreditar que as demissões vão diminuir. "Esse ano todo está perdido. As empresas estão fazendo o possível para não demitirem, mas aqueles que saem, até mesmo por conta própria, as indústrias não estão 'repondo'", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de as fábricas estarem demitindo os mais antigos para contratar novos colaboradores, com o intuito de reduzir custos trabalhistas, Félix afirmou que essa prática não funciona. "Acho difícil as empresas demitirem antigos para contratar mais novos, pois mesmo ganhando mais, os veteranos são mais produtivos, possuem mais experiência. Os novatos têm poucas técnicas de trabalho, de produção", completou.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a economia ainda não respondeu conforme o esperado. "Não temos um cenário favorável nem promissor a ponto de conseguirmos segurar as demissões. Tanto o governo do Estado quanto o federal têm tomado medidas, mas ainda não foram suficientes. Se não está vendendo e não está produzindo, não adianta manter o empregado", observou Azevedo.

Athaydes Mariano Félix criticou a morosidade do governo em anunciar medidas para ajudar a indústria e disse que a redução na tarifa de energia elétrica em 28% é apenas uma reposição daquilo que já foi repassado no preço do insumo.

O vice-presidente da Fieam revelou também que demitir durante os 30 dias que antecedem o dissídio coletivo da categoria fica mais caro, então algumas fábricas podem ter segurado por um tempo e acumulado os cortes para o mês passado. "Acredito que os números para setembro serão mais diferentes e talvez não tenha mais tanta dispensa. Todos os meios possíveis foram usados, como descanso remunerado e férias coletivas prolongadas, na expectativa de que poderia melhorar", assegurou.

Comércio

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus (SECM), José Ribamar do Nascimento, os desligamentos de funcionários do comércio diminuíram 2,3% em agosto. O 'termômetro' das demissões são as homologações feitas nos próprios sindicatos, mas só entram para as estatísticas os colaboradores com um ano ou mais no emprego. O vice-presidente afirma que em agosto foram demitidas 820 pessoas no comércio local, enquanto em julho esse número havia sido de 840.

Fonte: Diário do Amazonas

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