24/04/2013

AMAZONAS: Salário no Polo Industrial é até 14% abaixo do País.

ManausA indústria do Amazonas paga salários até 13,83% menores do que a média nacional, apesar de concentrar um dos maiores polos produtores do País.

Os dados são do Salariômetro, ferramenta da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e apontam, ainda, que as mulheres têm remunerações mais baixas do que os homens em relação a outros Estados. Os especialistas da área discordam.

Uma das funções mais comuns nas empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), a de alimentador de linha de produção, tem variação de 8,69% em relação ao índice médio do País.

Salários mais altos que os do Amazonas são encontrados em locais como São Paulo (R$ 953), Paraná (R$ 828) e Espírito Santo (R$ 783). O Amazonas tem apenas o sexto maior salário de alimentador de linha de produção.

Os dados do Salariômetro têm como base os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A ocupação de maior variação salarial é a de soldador, que no Amazonas tem renda mensal de R$ 1.337. A diferença em relação aos R$ 1.522 do País é de 13,83%.

De acordo com o Salariômetro, os trabalhadores no Estado têm ganho inicial de R$ 1.343 e as trabalhadoras de R$ 1.090. Na comparação com o salário nacional pago às mulheres (R$ 1.292), a margem local é 15,63% menor.

A qualificação em desvantagem com as regiões Sul e Sudeste, é um dos fatores de diferenciação salarial, analisa o presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas (Sinaees/AM), Celso Piacentini.

"Via de regra, os salários da mão de obra direta em Manaus são um pouco mais baixos devido à especialização, nível de treinamento e qualificação", afirma.

Enquanto há grande oferta de profissionais menos qualificados para funções simples, a mão de obra de engenharia ou técnica é restrita. Piacentini destaca que os salários são até 20% maiores por causa da dificuldade de encontrar profissionais de especialização mais específica.

A negociação coletiva, também mais forte nas regiões Sul e Sudeste, é outro fator que favorece salários mais altos que o Amazonas.

"Em outros lugares, essa negociação é muito forte, tem bases muitos boas e isso ajuda muito", afirma a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH-AM), Ozeneide Casanova. Ela salienta que as empresas apuram os valores oferecidos, levando em conta a função e importância do cargo.

Casanova discorda que haja diferença nos salários pagos por gênero. "Os cargos são colocados independente do sexo, não pode haver discriminação até porque vai contra a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)", disse. "Os cargos, salários e carreiras são dispostos para a função, não para o sexo", reforça.

Já Piacentini afirma que não há essa diferenciação no segmento eletroeletrônico e que as variações que podem ocorrer são em ocupações que exigem força física e que dificilmente são exercidas por mulheres.

Na profissão de engenheiro de produção, os rendimentos nacionais ficam na faixa de R$ 6.026, cerca de 9,54% maiores que os R$ 5.501 pagos no Amazonas. É essa ocupação que apresenta a maior diferença nos salários pagos às trabalhadoras locais em relação à média nacional.

Segmento de bebidas paga mais no Amazonas

Com o setor de concentrado de bebidas em alta, a profissão de supervisor da indústria de bebidas no Amazonas aparece com vencimentos iniciais 5,71% maiores que a média nacional.

Mestre cervejeiro, da indústria de bebidas e de engarrafamento locais tem salários de R$ 3.017 no Estado e de R$ 2.854 em nível Brasil.

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas de Manaus, Aristarco Neto, o mercado está se tornando mais competitivo e requerendo mão de obra qualificada. No segmento de bebidas, a exigência é ainda maior quando o critério é especialização.

Neto confirma que houve um aquecimento salarial no segmento em função da busca por mais espaço no mercado. Segundo o Salariômetro, os supervisores desse setor têm o quinto maior salário do País. "O que torna o supervisor mais valorizado é essa dinâmica de competitividade do varejo", avalia Neto.

O salário inicial mais alto do Brasil é pago no Pará (R$ 5.605). Maranhão vem em seguida com R$ 4.072 e depois São Paulo com R$ 3.657.
 
Fonte: Diário do Amazonas

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