26/01/2015

Amazonas: Idosos lideram a faixa etária de endividamento em 2014

O número de pessoas com 65 anos ou mais negativados no SPC cresceu 20%.

Manaus - Em 2014, os idosos foram o grupo de faixas etárias onde mais cresceu o endividamento no Amazonas. O número de pessoas com 65 anos ou mais que ficaram com o nome restrito no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) cresceu 19,61% no ano passado, aponta o levantamento da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus).

Gastos com saúde, especialmente com remédios, e a utilização de empréstimo consignado sem o devido controle são apontados como motivos para as dificuldades financeiras.

Dos 600.477 consumidores do Amazonas que entraram no SPC em 2014, 7,02% tem 65 anos ou mais, o que representa 42.153 idosos inadimplentes em média. Em 2013, o índice era de 5,98% para um universo total de 591.561 devedores no Estado. 

"Ou você compra o alimento ou então compra remédio pra aliviar a sua dor", afirma o presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas do Amazonas, José Araújo, referindo-se ao quantitativo de gastos com remédios que o idoso possui. Muitos recebem apenas um salário mínimo (R$ 788) e tem necessidade de comprar remédio superiores a R$ 100. O presidente da Associação afirma, ainda, que os remédios mais caros não são encontrados nas unidades da Farmácia Popular, programa do governo federal criado para ampliar o acesso aos medicamentos para as doenças mais comuns.

O poder de compra e qualidade de vida dos idosos vêm caindo, ressalta Araújo. "A qualidade é caótica, crítica. Você se aposenta com teto (da previdência) e só vem caindo. Perde qualidade de vida", afirma o presidente da Associação.

Outro ponto que causa descontrole das finanças são os empréstimos consignados, muitas vezes feitos para familiares ou terceiros. "O idoso se encharca nos consignados. Ele empresta X, resolve a situação e passa cinco anos pagando a situação. Já sai do orçamento R$ 100, R$ 200, R$ 300, faz uma falta imensa", afirma Araújo.

A orientação do economista Ailson Rezende é ter cuidado com o empréstimo consignado. "Muitos familiares se aproveitam e pegam o empréstimo consignado no nome do idoso. É muito comum. O idoso tem uma renda fixa e, apesar do valor dos juros do consignado ser mais baixo, a renda (do idoso) que não é tão alta", explica o economista. Rezende sugere que se faça uma análise do valor que é possível comprometer.

A perda da qualidade de vida se vê ainda no sistema utilizado pela Previdência Social para reajustar o valor das aposentadorias. Desde 1º de janeiro, os segurados da Previdência Social que recebem acima do salário mínimo tiveram o benefício reajustado em 6,23%, abaixo da inflação oficial do País medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que acumulou alta de 6,41% no ano passado. Quem recebe o benefício equivalente a um salário mínimo obteve reajuste de 8,8%, que é o percentual de aumento do salário mínimo neste ano.

"Eu vejo como uma maldade com quem trabalhou a vida toda. Você vê que o auxílio-reclusão é R$ 1 mil, mas tem muito aposentado que recebe só um salário mínimo", avalia Ailson Rezende.

Alguns idosos ainda conseguem a ajuda dos filhos, o que reduz os casos de inadimplência. É o caso do aposentado Ailton Barros, 83. "Aposentado no Brasil é sucata, ferro velho. Quando compra o arroz, não dá pra comprar o feijão. Se comprar o feijão e o arroz, não compra o remédio", afirma o aposentado, salientando que a frequência de pessoas nas drogarias e médicos aumenta na terceira idade.

Fonte: Diário do Amazonas

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