22/01/2015

Por decisão unânime, Copom eleva taxa básica de juros a 12,25% ao ano

Foi a terceira alta consecutiva, em meio ao aumento de impostos e de reajuste dos combustíveis.

São Paulo - A perspectiva de registrar o maior índice de inflação em uma década num cenário cada vez mais claro de estagnação econômica em 2015 levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a aumentar, nesta quarta-feira, em 0,5 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic) para 12,25% ao ano. Foi a terceira elevação consecutiva dos juros pelo Banco Central. Desta vez, em meio ao anúncio de aumento de impostos e de reajuste nos preços do combustíveis pelo governo.

A decisão, tomada de forma unânime pelos membros do Copom, levou a Selic a atingir seu maior nível desde julho de 2011, quando estava em 12,5% ao ano. O comunicado que se seguiu à decisão foi um dos mais enxutos dos últimos tempos e não deu pistas sobre os próximos passos do BC.

O Copom atuou dois dias depois que o Ministério da Fazenda elevou impostos de importação, encareceu o crédito ao consumidor e aumentou a alíquota da Cide, a contribuição sobre os combustíveis. As medidas podem agravar a já esperada estagnação da economia neste ano. Mais cedo, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o Brasil poderá ter um Produto Interno Bruto (PIB) negativo em algum trimestre de 2015.

As ações da Fazenda foram bem recebidas pelo mercado porque significam mais austeridade por parte do governo, ajudam na eficácia da política monetária e auxiliam até na valorização do real, o que é um problema a menos para a inflação. A questão é que, ao mesmo tempo, esse aumento da carga tributária gera outras pressões sobre os preços, principalmente aqueles administrados pelo governo, mais sobrecarregados neste ano.

O BC vem alertando desde o fim de 2014 que a inflação do início deste ano será elevada - no relatório de mercado Focus, a projeção para o IPCA de janeiro está em 1,10%. Depois do anúncio de mais impostos na segunda-feira, no entanto, as estimativas para a inflação de 2015 subiram e já indicam que o IPCA vai romper o limite superior de tolerância de 6,50%.

Fonte: Diário do Amazonas

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