23/01/2015

Setor de serviços no Amazonas amarga fraco desempenho da atividade econômica

Com o desconto da inflação, a receita real do setor que mais emprega no Estado caiu 3,8%.

Manaus - A redução da atividade econômica se refletiu no setor de serviços do Amazonas, que fechou novembro de 2014 com receita nominal de 4,6%, sem descontar a inflação, índice  acima da média do País, que atingiu 3,7%, o menor resultado da série histórica iniciada em janeiro de 2012, nessa base de comparação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se for levada em consideração a inflação acumulada do período, de 8,4%, a receita real do setor que mais emprega no Estado caiu 3,8%.

O dado  mensal no Amazonas foi o segundo menor resultado desde junho e julho do ano passado, período em que a demanda  foi afetada pela realização da Copa do Mundo de Futebol, em Manaus, quando a receita nominal  cresceu apenas 1,4% e 1,5%, respectivamente. 

No acumulado de janeiro a novembro, a receita nominal local foi de 8,3%, também acima da média do País, de 6,1%. Se levada em consideração a inflação acumulada no período, a alta foi quase nula, ou apenas 0,1%. Em 12 meses, a taxa nominal, sem  descontar a inflação, ficou praticamente igual: 8,2% e no País,  6,4%. 

A forte desaceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços acompanha a redução nas encomendas da indústria, do governo e do comércio, explicou o  técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha.  

"Os serviços passam por uma desaceleração provocada por uma redução no consumo das famílias, um consumo menor das empresas principalmente industriais e até do governo, que estão cortando seus custos e demandando menos serviços", explicou Saldanha. "Os serviços acompanham as encomendas da indústria, do governo, do comércio. Quando as encomendas estão reduzidas, refletem aqui (na pesquisa)", acrescentou.

Um exemplo do impacto do corte de gastos foi a queda de 5,8% em novembro de 2014 ante novembro de 2013 no ramo de publicidade e pesquisa de mercado. "Quem anuncia na mídia são empresas, e elas começam a cortar gastos em publicidade e propaganda", apontou Saldanha. Outro reflexo do desaquecimento da demanda está no subsetor de serviços administrativos e complementares, que abrange os aluguéis não imobiliários, ramo que amargou uma queda de 6,6% em novembro. 

"São aluguéis de máquinas e equipamentos, de andaime, máquina para a engenharia civil, geradores", contou. "É claramente um corte. Quem contrata isso são empresas de engenharia. Se ela não tem serviços, também não tem contratação de máquinas e equipamentos", lembrou.

Já a redução de encomendas da indústria tem provocado a menor demanda por frete. Em novembro do ano passado, o setor de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio cresceu 3,9% em relação a novembro de 2013. O transporte terrestre teve expansão de 3,8%, e o aéreo, 2,2%.

Descontada a inflação, setor está em queda

Apesar de ter registrado alta na receita bruta em novembro de 2014 na comparação com igual mês de 2013, em termos nominais, o setor de serviços no País teve resultado negativo quando considerada a inflação. "Quando deflacionamos o dado e consideramos a inflação anual na casa de 8,4%, percebemos que a receita real de serviços caiu 4,7% no período", explica o economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

Segundo o especialista, o resultado confirma uma trajetória de deterioração. "Além disso, quando se avalia o volume de vendas no comércio, o resultado também não é bom", acrescentou. Bentes pondera que a desaceleração do setor é preocupante devido ao peso da atividade. "O setor é o maior empregador e responde também por mais da metade da criação de vagas nos últimos anos", explicou. 

Para ele, os reflexos devem começar a se espalhar.  "Com menos renda e menos vagas criadas, a ajuda que o setor vai dar para a economia em termos de crescimento econômico tende a ser menor", ponderou.

Empresas  com 20 empregados são avaliadas

A Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS)  investiga as empresas de serviços que possuam 20 ou mais pessoas ocupadas, cuja receita provenha, predominantemente da atividade de prestação de serviços e estar sediada no território nacional. 

A PMS é o primeiro indicador conjuntural mensal que avalia o comportamento do setor, abrange as atividades do segmento empresarial não financeiro, exceto os setores de saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram).

De acordo com a metodologia do IBGE, para as unidades da Federação da Região Norte (Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins) são consideradas apenas as que estão sediadas nos municípios das capitais, com exceção do Pará, onde são consideradas aquelas que estão sediadas nos municípios da Região Metropolitana de Belém.

Fonte: Diário do Amazonas

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