19/03/2015

AM perde 4 mil postos de trabalho só no primeiro bimestre, mostra Caged

Em fevereiro, o saldo das demissões e admissões foi o segundo pior resultado desde a crise de 2009.

Manaus - O setor de serviços, responsável pela abertura de um grande volume de empregos na economia, começa a ser afetado e os resultados se refletem no enxugamento dos postos de trabalho

O Amazonas perdeu 4 mil postos de trabalho só nos dois primeiros meses do ano, a metade em fevereiro, que registrou o pior resultado desde a crise de 2009. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o desemprego atingiu o setor de serviços, seguido pela indústria de transformação e o comércio.

Responsável pela abertura do maior número de vagas, o setor de serviços, em fevereiro, superou  o comércio no corte de vagas formais. Foram demitidos 5,7 mil trabalhadores com carteira assinada, contra 4,8 mil admissões, saldo de 853 postos de trabalho a menos do que em janeiro.

O comércio perdeu 501 postos, após o saldo de 4,1 mil demissões contra 3,6 mil admissões. Já a indústria deu a conta de 4,6 mil trabalhadores e contratou pouco mais de 4 mil, com perda de 606 vagas no Amazonas.

Em janeiro, o comércio havia liderado o fechamento de postos de trabalho, com o enxugamento de quase 1,3 mil vagas, após demitir 4,8 mil empregados e contratar 3,5 mil pessoas. Naquele mês, o setor de serviços no Amazonas perdeu  344 vagas.

A construção civil, em fevereiro, também encolheu. Foram perdidos 86 vagas, queda de 0,26% em relação a janeiro. No mês passado, o setor demitiu 1.379 operários e contratou 1.293 trabalhadores.

De acordo com os dados  divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos últimos 12 meses, o Amazonas perdeu 8,6 mil postos de trabalho, queda de 1,82% em relação a igual intervalo do ano passado, considerando o período de fevereiro de 2014 a fevereiro de 2013.     

O resultado de fevereiro reduziu em 0,43% o estoque de assalariados com carteira assinada de janeiro, ou o resultado entre o número de contratações e demissões. A perda de 2 mil vagas só não foi pior em relação aos 6,3 mil postos eliminados em fevereiro de 2009, quando o Polo Industrial de Manaus (PIM) sentiu o impacto da queda do consumo do País, resultado da crise financeira internacional, que eclodiu em outubro de 2008 e arrastou bancos e fundos imobiliários.

Municípios

A situação do emprego em outros 21 municípios do Amazonas com mais de 30 mil habitantes monitorados pelo Caged se manteve estagnada em fevereiro. A metade teve saldo positivo, mas a base é pequena.   Boca do Acre, por exemplo, liderou com saldo de 2,73%, com apenas 35 contratações e 13 demissões, saldo de 22 empregos. Fonte Boa e São Paulo de Olivença mantiveram saldo zero e outros oito municípios tiveram perda de vagas.

O município que abriu mais vagas foi Itacoatiara, com 145 contratações, mas o saldo foi de apenas 0,07%, resultado de 140 demissões. Nova Olinda do Norte, Benjamin Constant, São Gabriel da Cachoeira e Autazes abriram apenas quatro vagas, cada, sendo que dois deles demitiram mais de quatro trabalhadores e ficaram com saldo negativo.

Resultado do País é o pior em 16 anos

Pelo terceiro mês consecutivo, o Brasil apresentou saldo negativo de empregos formais. Em fevereiro, foram fechados 2,4 mil postos de trabalho. O resultado é o pior para o mês nos últimos 16 anos, aponta o Caged.

O saldo de fevereiro ficou abaixo das expectativas do mercado. Alguns analistas chegaram a prever mais contratações que demissões, considerando a sazonalidade do mês, quando tradicionalmente o setor industrial tende a começar a contratar, depois da fase de demissão que acontece em maior peso até janeiro.

O setor de serviços foi o responsável pela maior geração de vagas formais de trabalho em fevereiro, com um saldo positivo de 52.261 postos, segundo dados do Caged. A indústria de transformação gerou 2.001 vagas no mês passado.

O comércio puxou o saldo para baixo com o fechamento de 30.354 postos em fevereiro. No mês, a construção civil fechou 25.823. A agricultura, por sua vez, extinguiu 9.471 postos no mês.

Para o  professor doutor da Universidade de São Paulo e pesquisador da Fundação de Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace/USP), Luciano Nakabashi, o saldo negativo de  em fevereiro reflete a menor demanda e a queda nos investimentos no País. "A situação era esperada, porque a economia vem devagar desde 2013 e, em algum momento, isso iria bater no emprego. Isso só não ocorria por conta das políticas de estímulos à demanda", disse Nakabashi.

Segundo ele com a retirada dos 'estímulos artificiais' de consumo pelo governo, setores como construção civil e comércio se retraíram e o impacto chegou ao emprego. O investimento para o consumidor são bens duráveis, como imóveis, e "esse cenário de retração na construção civil geralmente acontece em todas as recessões", exemplificou.

Fonte: Diário do Amazonas

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