09/04/2015

Amazonas criará comissões setoriais com setor produtivo para enfrentar a crise

Proposta visa encontrar alternativas que estimulem a retomada da economia do Amazonas.

Manaus - O governo do Estado vai criar grupos setoriais com as entidades da indústria, comércio e do setor primário, como estratégia para enfrentar as dificuldades da atual crise econômica. O anúncio foi feito, nesta quarta-feira (8), pelo governador José Melo, em reunião com representantes dessas entidades, ao explicar que a iniciativa busca uma nova política de diversificação da matriz econômica do Amazonas.

A reunião começou com um balanço sobre o cenário macroeconômico brasileiro e as dificuldades do Estado em função da crise. Em seguida, o governador elencou as medidas implementadas na reforma administrativa e os ajustes para manter o equilíbrio fiscal e, por fim, ouviu as sugestões dos empresários.

"Vamos, agora, juntar as atividades econômicas para criar grupos comuns para tentarmos vislumbrar horizontes de saída e manter o Estado no formato que está e a economia também. Espero que encontremos, juntos, soluções para esse momento difícil", disse o governador.

De acordo com Melo, a máquina pública foi ajustada para enfrentar o cenário de dificuldades. "Fizemos uma reforma, cortamos na carne, reduzindo quadros e secretarias, fazendo o dever de casa com relação à parte fiscal, a tarefa de arrecadar mais sem aumentar os impostos, sem ter que irmos aos salários", completou.

O governo deverá  reunir ainda com outros segmentos.  Por meio da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Seplanct), os representantes serão convocados para câmaras setoriais que envolverão propostas para não apenas superar as dificuldades momentâneas, mas também criar uma política de diversificação da matriz econômica  que não dependam, exclusivamente, dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Participaram  da reunião os secretários de Estado de Planejamento e da Fazenda, Thomaz Nogueira e Afonso Lobo, além dos  presidentes da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL),  Ralph Assayag, da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomercio), José Azevedo, da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Muni Lourenço, e os empresários Dênis Minev e Jaime Benchimol.

Lideranças defendem medidas

Os representantes das entidades produtivas e empresários defenderam as medidas em prol da sustentabilidade do Estado. 

O presidente da Cieam, Wilson Périco, destacou a transparência do governo  em discutir as decisões. "Quero ressaltar a coragem e a iniciativa do governador em convocar os representantes da classe produtiva para apresentar o cenário atual na questão da sustentabilidade do Estado e abrir discussão sobre quais seriam as melhores ações para enfrentarmos o momento em que o País passa e que o nosso Estado está inserido", disse ao destacar os riscos sociais da crise, principalmente o desemprego e desaceleração da economia.

Para o empresário Denis Minev, o País atravessa um momento delicado  e precisa adotar medidas impopulares.  "É inegável que o Brasil passa por um momento complicado e é necessário tomar medidas duras que vão impactar muita gente, infelizmente. As nossas saídas não são simples, mas são possíveis. Precisamos aproveitar a crise para buscar uma economia que não seja tão dependente da indústria".

Minev defendeu as medidas adotadas pelo governo e o modelo de desenvolvimento proposto. "Temos que crescer em outras frentes, como piscicultura, manejo florestal, mais investimentos em ciência e tecnologia. Investir em uma economia que não seja tão dependente de incentivos e que esteja mais ligada à Amazônia. Além disso, também é necessário algum encolhimento ao governo, que está ciente e já trabalhando nisso. Um trabalho doloroso de custo político muito elevado, mas necessário", disse.

Fonte: Diário do Amazonas

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