27/04/2015

Sete em cada dez que emprestam cartão para compras ficam no vermelho

Segundo pesquisa, 53% dos atuais inadimplentes estão nessa situação há mais de três anos.

Manaus - Um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz traçou o perfil de consumidores que ficaram inadimplentes por terem emprestado seu nome para outras pessoas comprarem produtos e serviços ou tomar empréstimos. Segundo a pesquisa, 15 milhões de consumidores ficaram ou ainda estão com o nome sujo por essa razão, principalmente por emprestar o cartão de crédito (74%) e o cartão de loja (64%). O processo de quitação da dívida feita por terceiros é longo: 53% dos atuais inadimplentes estão nessa situação há mais de três anos.

De acordo com os dados, menos da metade dos entrevistados (39%) sabia o valor da compra ou empréstimo feito por outros em seu nome e o seu valor médio chega a quase R$ 4 mil, sendo que quase cinco parcelas deixaram de ser pagas. No momento que descobriram estar com o nome sujo, quatro em cada dez consumidores (38%) disseram não ter tomado nenhuma atitude - número que aumenta para 56% entre quem ainda está inadimplente.
"O consumidor que ficou inadimplente acha que a dívida não é dele e, muitas vezes, adia ou renega o pagamento", diz Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil. "Mas, ainda que ele não tenha, de fato, contraído a dívida, tem responsabilidade em ter emprestado o nome e a única maneira de sair dessa situação pode ser ele mesmo pagando o valor", explica.
 
Dívida assumida

Ainda que a dívida seja de outra pessoa, mais da metade (52%) dos entrevistados se responsabilizam pelos problemas que os deixaram com nome sujo e afirmam terem pago ou que irão pagar ao menos parte dela. A tendência é ainda maior quando se observa apenas a situação dos ex-inadimplentes: 89% garantem ter pago a dívida feita por terceiros.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, esse número é alto pelos impactos que o endividamento e o nome sujo causam no dia a dia do consumidor que emprestou o nome. "A pessoa que fica inadimplente quer sair logo dessa situação. Por isso, toma algumas atitudes a fim de pagar a dívida que não foi contraída por ela", explica. "A principal delas é ter que cortar os gastos (67%) para conseguir economizar e pagar as dívidas. Muitos consumidores também deixam de pagar suas próprias contas (37%) e utilizam parte de suas reservas financeiras (27%) a fim de limpar o nome", diz Kawauti.

A pesquisa identificou que, em média, quem emprestou o nome pagou R$ 2.168,00 em dívidas de terceiros.

Maioria dos credores cobra débitos de terceiros

Após ficarem com o nome sujo, nove em cada dez consumidores (93%) receberam alguma cobrança por causa das dívidas de terceiros que os deixaram inadimplentes.

Mesmo assim, 76% dos entrevistados não quitaram a dívida após a cobrança e foram procurados ou procuraram o credor para fazer uma negociação para o pagamento.
Como consequência de ficar com o nome sujo, 72% dos entrevistados dizem não ter conseguido fazer um novo cartão de crédito, cartão de loja ou abrir crediário. 64% garantem que, depois de virar inadimplente, só podem comprar À vista. Para outros 49%, o problema é não conseguir abrir conta em banco, fazer empréstimos e usar cheque especial.

"Emprestar o nome para amigos ou conhecidos é uma atitude solidária, mas pode estragar planos importantes de médio e longo prazo, como comprar uma casa, um carro, investir na educação e saúde etc. Ao tentar ajudar uma pessoa próxima, é preciso pensar bastante antes", analisa Kawauti.

"Os resultados indicam que, frequentemente, quem emprestou o nome acaba se responsabilizando por uma dívida que não fez, com graves desdobramentos como restrição ou impedimento ao consumo e inadimplência. O consumidor, portanto, deve refletir e entender se está mesmo preparado para assumir esse compromisso, antevendo as consequências, caso o responsável pela dívida não consiga cumprir sua parte", conclui.

Em fevereiro de 2015 foram ouvidas 715 pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro é de 3,6 pontos percentuais com margem de confiança de 95%.

Fonte: Diário do Amazonas

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