06/05/2015

Amazonas: Entidades sindicais buscam reajustes salariais para 400 mil

O Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), usado para correção salarial, foi de 8,42%, nos últimos 12 meses, até março.

Manaus - Mais de 400 mil trabalhadores do Amazonas, de diversas categorias, reivindicam, este ano, reajustes salariais com índices acima da inflação nas negociações que começam neste mês e vão até dezembro. O assunto foi discutido, ontem, na 10ª Jornada Nacional das Centrais Sindicais, em Manaus.

O Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), usado para correção salarial, foi de 8,42%, nos últimos 12 meses, até março. "Não dá para negociar o reajuste salarial abaixo disso", afirmou o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Amazonas, Inaldo Seixas Cruz.

Com uma inflação projetada para até o final do ano de 8,26%, segundo o boletim Focus, as negociações salariais podem ser afetadas. "As negociações vão ser mais difíceis do que nos anos anteriores devido à essa crise. Mas, por outro lado, os empresários se aproveitam desse momento para afirmar que eles estão quebrando. Sabemos que isso não é verdade", disse o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Berenício Lima.

Vicente Filizola,  presidente da Força Sindical, que representa mais de 300 mil trabalhadores de diferentes setores, como industrial, rural e pescadores, disse que, em média, as categorias vão pedir um ajuste de 5% a 7% acima da inflação, este ano. "A média do piso salarial desses trabalhadores é de R$ 850. Por isso, a maioria tem que conseguir, no mínimo, 3% de ganho real", disse.

Filizola reconhece que é um ano difícil que exige mais empenho dos sindicatos. "Os frentistas chegaram a um aumento real de 9% semana passada. Tem sindicato que está mais organizado. Com isso, as reivindicações são mais atendidas", contou.

A presidente do Sindicato dos Profissionais de Saúde (Sindsaúde), Cleidinir Francisca Socorro, disse que para os profissionais da saúde do município, o sindicato veio com uma proposta de 8,42% mais a revisão do Plano de Cargos Carreiras e Subsídios. "Esse valor foi consensuado na gestão municipal e vai para Câmara para ser votado", disse.
Já para os trabalhadores da Saúde do Estado, o Sindsaúde apresentou uma proposta de 12%, mais a perda do período, o ganho real e a revisão do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração. "Ainda não conseguimos nada do governo. Estamos mobilizando os trabalhadores para discutir essa situação", disse, acrescentando que o sindicato representa em torno de 28 mil trabalhadores.

Os profissionais têm a  data-base no dia primeiro de março. O governo do Estado já informou que não dará reajustes salariais, em consequência da queda na receita e na lei de responsabilidade fiscal.

A média do salário do professor no Brasil é de R$ 1.917,78  para uma jornada de 40 horas semanais. "Mas, aqui, no Amazonas, nosso salário está abaixo disso. Por isso, nossa categoria deliberou por 20% de reajuste, plano de saúde, vale alimentação", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Marcus Libório.

O representante e secretário do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), Élcio Campos, os 8,5 mil trabalhadores, incluindo motoristas de ônibus e cobradores, pediram um reajuste de 20% na data-base, no último dia primeiro, mas não foram atendidos. "Já tivemos a reunião com o  Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), mas não entramos num acordo", disse. O secretário acrescentou que, além do reajuste, a categoria reivindica um aumento do vale-lanche, de R$ 5 para R$ 8, do ticket  refeição, de R$ 11 para R$ 16, e da cesta básica , de R$ 195, para R$ 240. "Está difícil. Os empresários querem dar apenas 8%", disse.

Fonte: Diário do Amazonas

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