24/02/2016

Amazonas: reajustes de salários estão entre os com menos benefícios

Reajustes salariais em vigor em janeiro não acompanharam a inflação do País.

Manaus - Amazonas, Espírito Santo, Amapá, e Rio Grande do Norte (todos com -0,3%), estão entre os Estados em que os reajustes salariais em janeiro menos beneficiaram os trabalhadores, junto com Roraima (-1,3%), nos 12 meses encerrados em janeiro, segundo o levantamento do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Por outro lado, o reajuste mediano foi positivo em 0,2% nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Bahia e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, o ganho real foi de 0,1%. No âmbito das categorias, a de confecções e vestuário lidera a lista, com ganho mediano real de 1,2%, seguida por vigilância e segurança privada (1,0%), bancos e serviços financeiros (0,8%), indústria cinematográfica e fotografia (0,7%) e distribuição cinematográfica (0,5%).

O levantamento mostra que os reajustes salariais que entraram em vigor em janeiro não acompanharam a inflação acumulada e os trabalhadores brasileiros tiveram perda real de 1,3% em seus salários no primeiro mês do ano. O Salariômetro revela que o reajuste mediano permaneceu em 10% pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acelerou para 11,3%. "Nas mesas de negociação existe uma tendência a buscar um número exato e, agora, parece que o 10% é o número mágico", afirmou o professor Hélio Zylberstajn, coordenador da pesquisa.

Segundo ele, dificilmente os empregadores concederão aumentos acima do nível atual e, mesmo quando a inflação começar a arrefecer nos próximos meses, os reajustes salariais seguirão modestos. "Quando o INPC começar a ceder para baixo de 10%, será uma força puxando os reajustes para os 9%", estimou Zylberstajn. Janeiro foi o terceiro mês consecutivo em que os reajustes salariais ficam abaixo da inflação, o que não ocorria desde a crise financeira global de 2008.

Nos 12 meses encerrados em janeiro, os trabalhadores da extração e refino de petróleo foram os que tiveram perda real de salário mais significativa no País, de 3,9%. A diminuição na renda é mais intensa que as registradas por outras categorias em anos anteriores.

De acordo com o coordenador do levantamento, o motivo é a Operação Lava Jato e o consequente desmanche da cadeia de óleo e gás. "O setor de petróleo parou no Brasil. Aí você tem a Petrobras e uma quantidade enorme de empresas que prestam serviços para ela. Em boa parte, os acordos ficaram só no zero a zero", afirmou Zylberstajn, em referência aos dissídios que apenas repõem a inflação do período. Em segundo lugar na lista de salários que encolheram estão os trabalhadores do agronegócio da cana-de-açúcar, com perda real 1,3%, seguidos pela categoria de outros serviços, 0,9%.

Reprodução: Com informações de agências / Diário do Amazonas

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