16/02/2016

Consumidor do Amazonas é o segundo em contas vencidas

Dados do Banco Central mostram que 5,57% estão com pagamento atrasado.

Manaus - O morador do Amazonas tem a segunda taxa de contas mais atrasadas no Brasil, segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC). A tendência é que o cenário piore, com o desemprego crescente e os preços de alimentos e serviços em alta, apontam economistas. A alternativa para os consumidores é ajustar os gastos e economizar.
De todas as operações de crédito em andamento, como compras com cartão de crédito, uso do cheque especial e financiamentos de veículos e imóveis, 5,57% estão com pagamento atrasado, segundo os dados de dezembro de 2015.
O atraso  é reflexo de uma série de situações que estão piorando a economia, e por consequência, a renda do trabalhador. No caso do Amazonas, o principal fator é a redução da produção do Polo Industrial de Manaus, que aumenta as demissões.

Até o final de 2015, a indústria de Manaus empregava 87,6 mil trabalhadores. Em dezembro de 2014, eram 118 mil funcionários, o que mostra uma redução de mais de 30 mil postos, segundo os indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Os polos Eletroeletrônico e de Duas Rodas são os com maiores problemas.
"É um efeito dominó. Se não tenho emprego, eu não vou ter tenda. Se eu não tenho renda, eu não tenho como pagar dívida", disse conselheiro do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM) e economista, Francisco Mourão Júnior.
Os dados do BCmostram que os consumidores foram se endividando ao longo de 2015. Em janeiro do ano passado, 5,22% de todas as compras com crédito estavam atrasadas. O índice de atraso foi piorando no final do ano. Em novembro, o número chegou a 5,42%, fechando dezembro em 5,57%.
A expectativa é que a situação se mantenha ruim pelo menos no primeiro trimestre, estima Mourão, com a perda de poder aquisitivo pela inflação.
Os trabalhadores com renda baixa são os mais prejudicados, na avaliação do economista Ailson Rezende. "Quem tem menor renda sente o reflexo imediato e por um período mais prolongado. Por menor que seja o aumento, como a renda é baixa, o impacto  é grande", afirma Rezende.
A ligação entre baixa renda e baixa escolaridade também piora a situação. "Numa crise como essa é quem tem baixa escolaridade e baixa qualificação que é dispensado primeiro. Ele já está endividado porque a renda que recebe não é suficiente e compromete tudo quando perde o emprego", explica Ailson Rezende.
As famílias também estão atrasando as contas de água e luz. "Tem pesquisas mostrando que as contas de consumo estão em quinto lugar na dificuldade de pagamento", avalia o economista.
Inadimplência de janeiro é a maior em 5 anos
A taxa de inadimplência dos consumidores do Amazonas foi a maior dos últimos cinco anos em janeiro, 3,9%, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM). Somente no primeiro mês do ano, quatro mil consumidores entraram para a lista de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Todas as regiões do País apresentaram alta da inadimplência, principalmente no Nordeste, com alta de 6,86% no número de consumidores com dívidas em atraso.
Esse é um dos piores cenários que já tivemos, analisa o presidente da CDLM, Ralph Assayag. "Não tivemos uma inadimplência tão alta nem no ano passado, quando a maior taxa ocorreu em setembro, 3,8%, isso deve prejudicar a oferta de crédito ainda mais", ressaltou. A metade dos devedores do Estado estão com débitos de até R$ 2 mil e a maioria deles é mulher, 52%. Segundo Assayag, a preocupação do setor agora é com as demissões.
Somente no primeiro mês do ano entraram no cadastro de inadimplentes 56 mil consumidores enquanto 52 mil conseguiram limpar o nome. Em janeiro do ano passado, a taxa de inadimplentes chegou a 3,3%, contra 3,1% em 2014, 3% em 2013 e 3,2% em 2012.
Mudança de hábitos reduz gasto mensal
 Se não depende do trabalhador mudar o cenário econômico, cabe a ele mudar rotinas para tentar melhorar seu orçamento doméstico. Optar por um serviço extra é uma alternativa. "Existe um campo grande que é a prestação de serviço nas residências. De repente uma limpeza externa, rebaixar a grama é um serviço esporádico, feito uma vez a cada quinzena, que pode compor a renda", orienta o economista Ailson Rezende.
Outra alternativa, sugerida pelos economistas, é fazer o planejamento da renda mensal e ver o que é possível reduzir em termos de gastos. "Tem que desligar os eletrodomésticos que ficam ligados sem ninguém usar, o chuveiro elétrico, reduzir o consumo de água", disse.
A substituição de alimentos e compra no atacado são outras sugestões para tentar melhorar a renda familiar. "A pessoa que está endividada não dorme direito, fica estressada, tem a saúde afetada", afirma Ailson.
Reprodução: Laís Motta - DEZ Minutos / portal@d24am.com

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