11/04/2016

Amazonas: Pesquisa do Dieese aponta redução de R$ 56 na cesta básica em Manaus

Segundo o levantamento, capital amazonense deixou de ter a 3ª para a 14ª cesta básica mais cara do País.

Manaus - Pesquisa divulgada nesta  segunda-feira  pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta queda de preço da banana e do tomate. Com isso, a cesta básica de Manaus ficou mais barata R$ 56,34 em março, em relação a fevereiro e  somou R$ 381,52. No domingo, matéria do DIÁRIO do Amazonas, publicada no Portal D24am, apontou que a palma da banana  é vendida até a  R$ 10 com a escassez provocada pela estiagem em Roraima (RR).
De acordo com o Dieese, a queda de preço desses dois itens fez a cesta básica de Manaus cair da terceira para a 14ª posição no ranking das 27 capitais.  Nos  três primeiros meses do ano, a cesta acumula uma alta de 3,73%.

"Depois de dois meses com forte alta, a cesta básica no mês de março registrou uma queda significativa, puxados, principalmente, pelo tomate e a banana, que são itens in natura, sensíveis a questões climáticas", disse o supervisor técnico do Escritório do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas.
 A banana prata, a vilã da cesta em fevereiro, com o aumento de 32,42%, registrou uma queda de 10,16%, em março. Mas nos três primeiros meses deste ano, o item tradicional da alimentação amazonense já acumula alta de 26,31%. O tomate saiu de um aumento de 9,5% em fevereiro e registrou uma queda brusca de 45,47%, influenciando até no acumulado do ano, que teve uma diminuição de 21,75%.
De acordo com o feirante da Manaus Moderna Sérgio Reis, o aumento do preço do tomate no mês de fevereiro e depois a queda, em março, é devido a problemas de safra, deixando o produto meio escasso no mercado. "Tudo é questão de oferta. Quando sobe na fonte produtora, no caso, na Bahia, de onde vem o produto, o aumento vem para cá e vice-versa", disse, ressaltando que houve estiagem nos dois primeiros meses do ano na Bahia, prejudicando a produção do tomate, por isso que teve pouca oferta do item, aumentando assim, o preço. "Mas em março, a produção se normalizou", disse.
Para o presidente da comissão gestora da feira da banana, Moacir Cintrão, a banana prata ainda está cara desde janeiro deste ano. Isso porque boa parte da banana está vindo da Bahia. "Com a estiagem em Roraima, nosso maior abastecedor, estamos tendo que importar da Bahia e uma carreta vindo de lá sai a R$ 22 mil", disse, adiantando que a banana vai começar a baixar daqui a 60 dias, quando as condições climáticas melhorarem no Estado vizinho. Cintrão disse que a banana pacovã está caindo de preço, porque a produção no Acre aumentou e o interior do Amazonas, no município de Manicoré, localizado a 390 quilômetros da capital, começou a produzir também. "O cacho da pacovã teve uma queda de quase 50%. Antes era vendida de R$ 50 a R$ 60. Hoje está custando R$ 30", disse.
Outros produtos
Apesar de a cesta básica em Manaus ter tido uma queda 12,87%, o Dieese revelou que nove produtos apresentaram alta e apenas três tiveram queda nos seus preços no mês analisado.  A farinha (9,48%) foi o produto que apresentou maior alta no mês seguido do açúcar (9,38%), do óleo (6,58%), do feijão (5,76%), da manteiga (4,56%), do arroz (2,94%), da carne (2,65%), do café (2,14%) e do leite (0,93%).
O tomate (-45,47%) foi o produto que apresentou maior queda no mês seguido da banana (-10,16%) e do pão -0,52%).
A farinha de mandioca foi o produto que apresentou maior alta no mês na capital amazonense com variação em relação ao mês anterior de 9,48%. "A oferta do produto ainda não conseguiu se recuperar da longa estiagem que houve nas regiões do Norte do País, levando a alta do preço", explicou Inaldo Seixas. No acumulado do ano, a farinha apresenta variação de 28,30%.
O quilo do açúcar continuou em alta e aumentou em 23 capitais, com taxas que variaram entre 0,86% em Belém e 9,38% em Manaus. As reduções foram verificadas em Brasília (-6,34%), Goiânia (-3,45%), Porto Alegre (-1,40%) e Curitiba (-0,36%). "Devido ao período de entressafra da cana e com parte da produção destinada ao etanol, houve elevação do preço do açúcar no varejo. Por isso, é o produto que acumula maior alta nos três primeiros meses do ano na capital amazonense (33,33%)", ressaltou o coordenador do Dieese.
De acordo com o departamento, o aumento de preço do feijão foi registrado em 26 cidades e em Manaus a alta foi de 5,76%. "O clima prejudicou a qualidade dos grãos e os melhores feijões carioquinhas foram vendidos a preço maior. Ainda, no Nordeste, o feijão continua em entressafra", ressaltou, acrescentando que no primeiro trimestre de 2016 já acumula alta de 30,79%.
Salário mínimo necessário
Com base no total apurado para a cesta mais cara, a de Brasília, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em março de 2016, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.736,26, ou 4,25 vezes mais do que o mínimo de R$ 880,00. Em fevereiro, o mínimo necessário correspondeu a R$ 3.725,01, ou 4,23 vezes o piso vigente.
Reprodução: Lílian Portela - DIÁRIO do Amazonas 

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