26/04/2016

Competências comportamentais são ainda mais valorizadas durante a crise

Corporações têm valorizado, além de questões técnicas, qualidades como criatividade e liderança.

Manaus - Sabe aquele funcionário 'reclamão', pessimista e mal-humorado? Esse não é o perfil adequado para um profissional e muito menos no atual momento de crise econômica, quando, além das habilidades técnicas, as empresas avaliam o comportamento de seus colaboradores.

Possuir 'jogo-de-cintura' e não ter um 'espírito negativo' são as melhores formas de se comportar para enfrentar o enxugamento que vem ocorrendo nos quadros de funcionários das empresas, segundo especialistas.

As habilidades comportamentais são valorizadas nas organizações, pois são elas que indicam o potencial de desenvolvimento e de entrega de resultados do profissional, de acordo com o master coach sênior e presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), José Roberto Marques.

O trabalhador que é pró-ativo, tem comunicação e flexibilidade, autoconfiança, controle, inteligência emocional, pensamento estratégico, comprometimento, foco em resultados e potencial criativo e de inovação é mais valorizado na empresa. Até mesmo quem não tem cargo de líder, mas tem potencial de liderança é bem avaliado.

No momento de crise, saber lidar com a situação, que, muitas vezes, é de adversidade, faz o trabalhador ser bem visto pelo chefe. "Acredito que controle e inteligência emocional são primordiais, pela necessidade de ter aquele 'jogo de cintura' para driblar certas situações, como, por exemplo, o corte de gastos e de pessoas na organização", afirma José Roberto Marques. Na crise, a criatividade é essencial, uma vez que uma nova ideia pode contribuir para o bom andamento da empresa.

O setor de alimentação é um dos que estão analisando o trabalhador não apenas pela sua capacidade de cozinhar um bom prato ou de servir, mas de oferecer um atendimento diferenciado. "Se a casa não está cheia agora é o momento de atender melhor, de coração, de oferecer um cafezinho, um chazinho, perguntar se o cliente gostou da comida, interagir", disse a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (Abrasel), Lilian Guedes.

O diferencial nesse momento, segundo Guedes, é o funcionário buscar fazer além daquilo que ele normalmente faz. "O que irá diferenciar não é só o colaborador que sabe anotar um pedido e, sim, aquele que faz sugestões ao empresário, aquele que consegue fazer uma venda adicional, aumentando o ticket médio do restaurante. O cliente vai comer, o garçom oferece um vinho, uma sobremesa, um petisco", afirmou.

Pessimismo e insubordinação contam contra o empregado​

Pessimismo no momento de crise não é a melhor opção para o trabalhador. Mesmo que as condições econômicas sejam ruins para o empregado, que vê seu orçamento ficar mais apertado e restrito e vê até mesmo colegas serem dispensados da empresa, evitar ser um trabalhador 'reclamão', pessimista e mal-humorado é o caminho mais seguro.

"É algo extremamente ruim nesses momentos, uma vez que ele pode contaminar outras pessoas, além de não deixar o profissional em uma situação confortável e segura", disse o presidente do IBC.

Não é bem visto pelas empresas o trabalhador que, além de pessimista, não tem foco, tem baixa produtividade, costumar adiar seu serviço, não é comprometido, fofoca, reclama em excesso, é inflexível e insubordinado.

Esse tipo de comportamento é mapeado em programas de perfil comportamental em grandes empresas, segundo Marques. Esses programas identificam informações sobre o perfil do profissional, oferecendo elementos que auxiliam na identificação do profissional ideal para determinada vaga. Essas informações ficam arquivadas e podem ser acessadas quando se busca um determinado perfil.

As palavras 'ruim' e 'crise' devem ser deixadas de lado e o colaborador precisa mostrar que, além de bom funcionário, ele pode oferecer algo a mais. "É uma fase de reavaliar a estrutura para sobreviver, dar uma enxugada na gordura e ficar só com o músculo. É uma época seletiva, onde os fortes vão sobrevier e os fracos vão, infelizmente, sair. Esperamos que todos sejam da equipe dos fortes", avaliou a presidente da Abrasel.

Reprodução: Laís Motta - DEZ Minutos / portal@d24am.com

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