02/05/2016

Busca por funcionário qualificado leva empresas a ofertar capacitação

Tendência ocorre, inclusive, para preenchimento de cotas obrigatórias, como a de Pessoas Com Deficiência.

Manaus - Com o enxugamento do quadro de funcionários devido à crise, a busca por um profissional que reúna todas as qualidades essenciais para a empresa se tornou ainda maior, segundo a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH-AM), Kátia Andrade. Diante deste cenário, algumas empresas estão oferecendo qualificação para admitir funcionários necessários a sua atividade e, inclusive, para preencher cotas obrigatórias como a de Pessoas Com Deficiência (PCDs), prevista na Lei nº 8.213, de julho de 1991.

"Nesse cenário atual, a demanda por quantidade de vagas pelas empresas diminuiu, mas por qualidade aumentou. Isso porque, com uma equipe reduzida, as instituições precisam de um profissional qualificado que gere resultados efetivos", ressaltou Kátia Andrade.
Para tentar sanar demandas por determinadas funções, o grupo Chibatão lançou um projeto de capacitação profissional, oferecendo, em abril, um curso de conhecimentos técnicos e trabalhador portuário, para 50 pessoas.

"Quem participar dos cursos sairá apto a trabalhar não só no porto, mas em qualquer um do País", disse o diretor executivo- geral do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis. Das pessoas que realizaram a formação, parte será contratada pelo Chibatão para atuar como auxiliares multifuncionais, sendo responsáveis pelo embarque e desembarque de contêineres e serviços da área.

"É o início de um projeto de longo prazo do Porto Chibatão para inclusão social no ramo portuário. Tivemos a ideia de capacitar profissionais locais para não ter que buscar mão de obra fora do Estado. É uma forma de gerar oportunidade e renda para a população local", afirmou o presidente do Grupo Chibatão, Jean Bergson.

Esse comportamento da empresas assumir a oferta de qualificação ocorre devido à carência de formação por parte dos cursos profissionalizantes e das universidades, segundo a presidente da ABRH-AM. "O conhecimento é que faz a diferença. A empresa que não investe em qualificação perde vantagem competitiva", disse.

Jovem Aprendiz
Para atender ao mercado, o Centro Literatus (CEL) qualifica para as empresas locais jovens com idade de 14 a 24 anos interessados em trabalhar como Jovem Aprendiz. A iniciativa faz parte do programa Aprendiz Formação Inicial e Continuada (FIC), onde os jovens são preparados para atuar em diversos setores.

O Aprendiz FIC é regulamentado pela Lei 10.097/2000 e pelo Decreto Federal nº 5.598/2005. Tal decreto determina a contratação de aprendizes pelas empresas de médio e grande porte e estabelece uma obrigatoriedade de contratação de cotas entre 5% e 15% do quadro de funcionários, além da formalização pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para todos os contratados.

A sócia-proprietária do CEL, Eliana Pinheiro, explicou que o trabalho desenvolvido pelo projeto atende a uma necessidade das empresas e dos próprios jovens. "Muitas empresas têm remanejado trabalhadores ou colocando profissionais em postos onde não possuem a qualificação necessária. E, por outro lado, temos um perfil cada vez maior de jovens querendo conquistar a independência financeira ou ajudar nas despesas de casa", disse.

Dificuldade de contratar PCDs também estimula qualificação

Com a obrigatoriedade de contratação de PCDs, determinada em lei, e a dificuldade de encontrar pessoas com esse perfil e qualificadas, algumas empresas têm apostado na oferta de formação desse grupo.  A legislação nº 8.213, de julho de 1991, também conhecida como Lei de Cotas, obriga o preenchimento de 2% a 5% das vagas do quadro de funcionários das empresas com pessoas reabilitadas ou com deficiência.

Uma delas é a Samsung Instituto de Desenvolvimento para a Informática da Amazônia (Sidia), que lançou, na última sexta-feira, um projeto de capacitação técnica e comportamental, direcionado PCDs, nas áreas de telecomunicações e testes de equipamentos. A iniciativa recebe o investimento de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D), regido pela Lei de Informática (Lei 8.248/91), e contribui para aumentar a empregabilidade e perspectiva de carreira para esses profissionais.

O projeto vai capacitar, por 20 meses, 25 PCDs na área de telecomunicações e testes de software para dispositivos móveis. Dez pessoas com deficiência, que já trabalham no Sidia, farão parte do projeto.

Conforme estimativas do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras com Deficiência (Conade) nem 50% das vagas de trabalho que deveriam estar ocupadas por deficientes estão preenchidas.

A especialista de Recursos Humanos do Sidia, Ana Ferreira, explicou que esse é um dos maiores problemas enfrentados por pessoas com deficiência, para se inserirem no mercado de trabalho. "Queremos promover a inclusão social e a autonomia da pessoa com deficiência, para que possa ampliar as chances de conseguir uma boa colocação no mercado, concorrer de igual para igual com os demais candidatos e poder crescer profissionalmente, quando conseguirem entrar no mercado de trabalho", ressaltou.

Reprodução: Diário do Amazonas

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