11/05/2016

Norte lidera inadimplência entre adultos no País

Região tem 47,0% da população com o nome nos cadastros de devedores, segundo SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

Manaus – Com 5,4 milhões de nomes registrados nos cadastros de devedores, a região Norte apresenta, em termos proporcionais, o maior número de consumidores adultos inadimplentes: 47,0% da população adulta da região está com o nome inscrito nos cadastros de devedores, segundo levantamento da SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgado nesta quarta-feira (11).  Isso significa que, de cada dez adultos na região, quase cinco estão com nomes nas listas de inadimplentes. Em abril, houve crescimento de 4,38%, no número de inadimplentes na região.
Só em abril, os Serviços de Proteção ao Crédito receberam, em todo o Brasil, 500 mil novos consumidores devedores e negativados. O contingente de inadimplentes agora envolve 59,2 milhões em todo o País, segundo levantamento da SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Significa dizer que, de cada dez adultos no País, quatro estão com seus nomes nas listas de inadimplentes e que 39,9% da população com idade entre 18 e 95 anos está com suas prestações em atraso e o CPF sujo.
Dívidas com água e luz são as que mais crescem, mas pendências bancárias – que englobam atrasos no cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e seguros – respondem pela maior parte dos compromissos atrasados, afirma a economista-chefe da SPC Brasil, Marcela Kawauti. O aumento nos registros de atrasos de pagamentos ocorreu nas quatro regiões analisadas pelo SPC Brasil e CNDL.

"Além das dificuldades para custear despesas básicas, o resultado também reflete a disposição crescente dessas concessionárias (de água e luz) em negativar os consumidores inadimplentes, como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso. Tem se tornado mais comum que essas empresas negativem o CPF do residente antes de realizar o corte no fornecimento', afirma Marcela.
De acordo com o indicador das duas instituições, no último mês de abril frente a igual período do ano passado, houve um aumento médio de 5,8% no volume de brasileiros inadimplentes no consolidado das regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul. A variação porcentual da região Sudeste não é divulgada devido à entrada em vigor da Lei Estadual 16.569/2015, conhecida como 'Lei do AR', que dificulta a negativação de inadimplentes em São Paulo e, por isso, dificulta comparações.
Segundo o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, o aumento na quantidade de consumidores negativados reflete as dificuldades do atual cenário macroeconômico com piora dos índices de renda e aumento das demissões.
"Ao longo dos últimos meses, o movimento da inadimplência tem sido influenciado pela contínua piora do cenário econômico, que corrói a renda das famílias, e pela maior restrição ao crédito", disse.
Por um lado, continua Pinheiro, 'a restrição limita o potencial de endividamento das pessoas, mas, por outro, a queda da renda impõe ao consumidor dificuldades para pagar dívidas e honrar seus compromissos financeiros'.
Regiões
Das quatro regiões contempladas pelo indicador, é no Nordeste onde o número de inadimplentes mais tem crescido, com alta de 7,64% em abril frente a igual mês do ano passado. Em seguida aparecem as regiões Norte (4,38%), Centro-Oeste (4,26%) e Sul (4,15).
O Centro-Oeste, que tem 4,9 milhões de pessoas com contas atrasadas tem a segunda maior proporção de inadimplentes frente sua população total: 43,7%. A região Nordeste com 15,7 milhões de negativados apresenta algo como 40% da população adulta e o Sul, com um total de 8,1 milhões de consumidores negativados, apresenta a menor proporção (36,8%) da população adulta.
Dívidas
O inadimplente brasileiro tem, em média, uma dívida em atraso de R$ 4,2 mil, é jovem morador da periferia e trabalhador urbano e seu principal credor é o banco ou empresa de cartão de crédito. Esse é o perfil revelado pela pesquisa "Inadimplência do Consumidor do Brasil", feita pela Serasa Experian e divulgada nesta quarta-feira. Ao todo, o Brasil tem 60 milhões de inadimplentes — que considera atrasos de ao menos 30 dias — o equivalente a 40% da população economicamente ativa. É o pior resultado já registrado pela Serasa. No ano passado, o número de consumidores com compromissos financeiros em atraso era de 55 milhões. Ao todo, os débitos em atraso somam R$ 250 bilhões.
Na avaliação de Julio Guedes, diretor da Serasa, esses devedores estão concentrados no Sudeste, mas há um crescimento expressivo de inadimplentes de baixa renda nas regiões Norte e Nordeste. "Essa inadimplência está muito ligada ao aumento do desemprego e ao trabalho informal. Esse trabalhador perdeu renda", explicou.
O maior grupo de devedores, o equivalente a 29% do total, é jovem (até 30 anos) e morador de periferia. O segundo maior contingente é de trabalhadores urbanos, que representam 18% do total, seguido dos donos de negócios, com 9%. "Esses dados são alarmantes porque esses grupos têm uma participação maior na inadimplência do que sua representatividade na população brasileira", afirmou.
A maior parte das dívidas é relativa a bancos e cartões de crédito, com uma fatia de 27%. No levantamento do ano passado, essa parcela era de 31%. "Isso mostra o efeito das políticas de crédito mais restritivas dos bancos", avaliou Guedes.
Já o segmento de serviços essenciais, como a conta de luz, é responsável por 18% da inadimplência, ante 15% no ano passado. A participação do varejo ficou praticamente estável, em 13%. "Estamos próximos do ápice da inadimplência. Acredito que, com a mudança de governo, vamos ver uma retomada da confiança, que permitirá a retomada econômica e geração de emprego e renda", disse.
A Serasa Experian também apresentou alguns dados sobre a inadimplência de empresas. Ao todo, são quatro milhões com compromissos em atraso, que somam R$ 100 bilhões.
Reprodução: Diário do Amazonas

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