14/06/2016

Amazonas lidera inadimplência e taxa é a mais alta desde 2012

De todas as operações de crédito em andamento, utilizadas pelo morador do Amazonas, 6,05% estão com as contas em atraso, aponta o Banco Central.

Manaus - O morador do Amazonas é o mais inadimplente do Brasil, segundo dados do Banco Central. Em abril, a inadimplência do consumidor local chegou a 6,05%, a maior desde julho de 2012. Conter gastos desnecessários e reorganizar as finanças são as alternativas para tentar deixar a situação de devedor.

De todas as operações de créditos em andamento, utilizadas pelo morador do Amazonas, como cartão de crédito e cheque especial, 6,05% estão com pagamento atrasado. Até abril, o volume em crédito para pessoa física do Amazonas chegou a R$ 13,51 bilhões, segundo o Banco Central.

Em 2016, a inadimplência vem crescendo no Amazonas. O Estado começou o ano com 5,55% dos pagamentos atrasados e alcançou 6,05%, em abril. Esse é o pior resultado já alcançado desde julho de 2012, quando 6,07% dos pagamentos de gastos com cartão de crédito e financiamentos estavam atrasados.

A explicação para este número, considerado alto para o Amazonas, é a evolução da crise econômica. A economia do Amazonas é baseada basicamente na produção e venda de produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM), que teve o faturamento encolhido 33,17% nos quatro primeiros meses de 2016, comparado ao mesmo período de 2015, segundo os indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

A queda de produção no Amazonas, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou retração de 18,1% nos últimos 12 meses, considerando o mês de abril, refletiu na perda de emprego. Em abril, o PIM registrou a ocupação de 81,9 mil postos de trabalho, a menor média mensal desde 2004 quando as indústrias empregavam 80,6 mil trabalhadores.

Quando comparado a outros níveis de emprego que o Polo Industrial já atingiu, a situação é ainda pior. "Perdemos um terço dos empregos no Polo Industrial. Chegamos a quase 130 mil empregos. Hoje estamos com 81 (mil). Estamos falando de 40 mil pessoas que perderam o emprego", disse o economista Ailson Rezende.

A conta é ainda pior quando se consideram os empregos indiretos gerados a partir da produção do PIM. "Se a gente fizer o cálculo de que para cada emprego direto tem quatro indiretos para atender aquela demanda por serviço ou produto, são 200 mil pessoas desempregadas", afirmou Rezende. Sem emprego, as pessoas priorizam as necessidades básicas, como alimentação e moradia.

Liderança

O índice de contas atrasadas no Amazonas é o pior de todo o Brasil. O Amapá é o Estado que tem taxa de inadimplência mais próxima ao do Amazonas, com 5,50%. Já em Rondônia, estão os que mais pagam suas contas em dia, com taxa de 3,09%.

Na Região Norte, o Amazonas lidera, com folga, a taxa de inadimplência. O Acre tem índice de 4,48%, enquanto o Amapá de 5,25%. O Pará, Estado com maior volume de operações de crédito da Região, tem 5,13% das contas atrasadas. Roraima aparece na lista com índice de 4,52% e Tocantins com 4,61%.

Mudança de hábito deve ser adotada por  devedor

Os especialistas em finanças pessoais recomendam ser necessário mudar hábitos para tentar sair da inadimplência ou não entrar nela e estabelecer as prioridades para colocar em ordem o orçamento familiar.  

O primeiro passo é que a organização das finanças envolva toda a família, principalmente nas casas que têm um desempregado.

Quem acabou de ser demitido e vai receber o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mais a multa rescisória de 40% e o aviso-prévio, deve utilizar os recursos com cautela, priorizando os gastos essenciais. A mesma recomendação serve para quem terá direito a receber o seguro-desemprego.

O desempregado deve também buscar fazer bicos e uma atividade para compor a renda familiar. O importante, segundo o economista Ailson Rezende, é não gastar mais que o próprio salário.

Para quem tem dívidas com cartão de crédito e cheque especial, a saída é eliminar a 'tentação', especialmente quando os juros do rotativo batem recorde  de 441% ao ano para quem financia a dívida.

"A primeira ação para quem tem cartão é quebrar o cartão. Quem tem cheque, rasga o cheque. Num momento ou outro de aflição, você acaba recorrendo. Se você ficar com eles, você fica tentado a usar", orienta o economista.

Reprodução: Diário do Amazonas

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