27/03/2017

Quatro em cada dez brasileiros atribuem a negativação no crédito ao desemprego

Outros motivos citados foram diminuição de renda, empréstimo de nome para terceiros e salário atrasado não pago. O valor médio da dívida dos entrevistados é de 2.918,09.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com consumidores negativados, ou que estiveram nesta situação nos últimos 12 meses, investigou quais são as dívidas em atraso e o que essas pessoas estão fazendo para negociar a dívida e recuperar o crédito. Os dados mostram que quatro em cada dez inadimplentes e ex-inadimplentes (38%) tiveram o nome sujo devido ao desemprego. Outros motivos citados foram diminuição de renda (31%), empréstimo em nome para terceiros (17%) e salário atrasado não pago (10%). O valor médio da dívida de quem está ou esteve com o nome sujo é de R$ 2.918,09, sendo maior entre os homens (R$ 3.536,22) e entre as pessoas das classes A e B (R$ 3.857,42).

Os entrevistados têm ou tinham, em média, contas em atraso com 2,2 empresas, sendo que 1,9 fizeram registro do nome em listas de inadimplência, a negativação ocorreu em 86% dos casos. Além disso, 27% dos consumidores devem a três ou mais empresas diferentes e 64% ainda estão com nome sujo, sobretudo entre as classes C, D e E (68%).

 

Crise

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a atual conjuntura econômica faz com que a dificuldade de honrar com todos os compromissos financeiros seja maior. "O cenário de crise resulta em um grande número de desempregados, e os brasileiros em geral estão com menor poder de compra devido à inflação e às altas taxas de juros", avalia. "Com isso, o consumidor acaba tendo dificuldade para pagar as contas e fica inadimplente".

Entre os que quitaram ou pretendem quitar a dívida, a principal estratégia é recorrer a acordos com os credores (34%), cortes no orçamento (22%) e gerar renda extra por meio de bicos (18%). Os gastos mais citados quando se fala em cortes foram idas a bares ou restaurantes (36%), compras de peças de vestuário ou calçados (34%) e lazer (34%, principalmente entre aqueles com mais de 55 anos, 54%). No entanto, 19% das pessoas não estão economizando para saldar as dívidas. Entre os que possuem mais de uma conta em atraso, a prioridade é quitar conta de cartão de crédito, loja ou crediário para usar o crédito novamente (24%). Foram citadas como prioridade também as contas de menor valor (23%), contas com taxa de juros mais altos (19%) e com o valor final mais alto (18%).

Para José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, fazer cortes no orçamento é um bom caminho para quem está com o nome sujo. "Quem está endividado deve readequar o orçamento realizando cortes em itens supérfluos para poder negociar as contas em atraso", afirma. "Para resolver essas pendências, o indicado é pagar primeiro as dívidas com juros mais altos e, se possível, fazer a portabilidade da dívida para outro banco ou modalidade que tenha taxas menores".

Entre os que pagaram ou pretendem pagar a dívida, 56% acham que é o correto honrar com os compromissos financeiros, 53% não se sentem confortáveis tendo o nome sujo e 30% se preocupam com o valor da dívida depois do pagamento tardio.

O levantamento indica também que o cartão de crédito é o motivo da inadimplência de metade dos entrevistados (50%), principalmente, entre as pessoas com 55 anos ou mais, (66%), seguido de crediários, carnês e cartões de loja (26%) e empréstimos (21%).

 

Entrevistados desconhecem o número de parcelas que contratou

De acordo com a pesquisa do SPC Brasil e CNDL, uma quantidade significativa de pessoas não sabe quantas parcelas contratou no momento de realizar uma compra, com destaque para dívidas com cartão de crédito (49%), empréstimos (35%) e crediários, carnês ou cartões de loja (35%). 

Além disso, 41% de pessoas não sabem quantas parcelas deixaram de pagar do cartão de crédito, 38% contrataram empréstimos e também não têm este conhecimento, assim como 31% dos que possuem dívidas com crediários, carnês ou cartões de loja que ignoram o número de parcelas não pagas.

De acordo com José Vignoli, o controle financeiro deve ser um hábito para que o consumidor não fique inadimplente. "Alguns mecanismos de crédito, como o cartão, são utilizados, em muitos casos, sem o devido acompanhamento, de modo que a pessoa fica sem saber ao certo qual valor terá que pagar na fatura e quantas parcelas estão pendentes", afirma. "Por isso, é importante que todos os gastos feitos sejam anotados para não haver surpresas desagradáveis no final do mês", completa.

A pesquisa entrevistou 602 consumidores residentes em todas as regiões brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais, atuais inadimplentes ou ex-inadimplentes há no máximo 12 meses. A margem de erro é de 3,99 pontos percentuais para uma confiança de 95%.


Reprodução: Diário do Amazonas

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