15/05/2017

Amazonas: Trabalhadores do PIM são mais eficientes que a média da indústria brasileira, diz estudo

A conclusão do estudo tem como base o menor uso de capital e trabalho para produzir mais em Manaus, em relação à indústria da transformação brasileira. Estudo reuniu dados de 2002 a 2014.

Os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM), juntamente com as máquinas utilizadas nas fábricas locais, são mais eficientes que a média da indústria de transformação brasileira. A afirmação é do doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do artigo 'A Aplicabilidade da Lei de Kaldor-Verdoorn no Polo Industrial de Manaus (PIM)', Renilson Silva. A conclusão tem base o menor uso de capital e trabalho para produzir mais em Manaus, em relação ao resto do Brasil.
O artigo, que recebeu menção honrosa no 14º Congresso de Produção Científica e Acadêmica da Universidade Federal de São João del-Rei, de Minas Gerais (UFSJ), em outubro de 2016, também tem como autor o economista Marcos Reis. O estudo teve como base o período de 2002 e 2014. A Lei de Kaldor-Verdoorn foi escolhida por ser a teoria mais conhecida na área de economia que faz a relação entre produtividade e produção.

"Nós comparamos a produtividade total de fatores do PIM com a indústria de transformação brasileira. A primeira constatação que tivemos é que os trabalhadores do PIM, juntamente com as máquinas, são mais eficientes do que a média da indústria de transformação brasileira. Isto é, estamos empregando menos capital e trabalho para produzir mais. Se produzimos com mais eficiência, isso significa maior geração de riqueza, consequentemente, mais desenvolvimento econômico", detalhou Renilson Silva, que é professor do curso de economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
No estudo, os economistas chegaram ao coeficiente de 0,45, que representa a eficiência do PIM em usar os seus fatores de produção. "Esse número próximo de 0,5 foi o mesmo encontrado pelo próprio Kaldor quando ele fez esse estudo para o Reino Unido. Um aumento de um ponto percentual na taxa de crescimento do produto leva a um aumento de 0,4 pontos percentuais na produtividade da indústria", observou Silva, que já trabalhou na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Na avaliação dos especialistas, esse coeficiente de produtividade rebate as críticas de ineficiência do modelo de desenvolvimento regional. "As principais críticas feitas em relação ao PIM referem-se ao fato de que esse não é o modelo de desenvolvimento adequado, que ele não é eficiente, que a indústria é maquiladora, que o modelo não é capaz de gerar crescimento próprio. No entanto, nossos resultados mostram que o PIM é uma indústria dinâmica e capaz de gerar crescimento endogenamente. Isto é, ele é capaz de gerar e sustentar o crescimento por meio de suas economias de escala estáticas e dinâmicas", explicou o professor.
Segundo Silva, economias de escala estáticas são resultantes dos custos fixos existentes na produção. Esse custo existe independente de se produzir qualquer unidade de produto. "Então, quanto mais você produzir, melhor, pois menor será o custo fixo médio. Se isso acontece, temos economia de escala e mais ganhos para a sociedade. Já as economias dinâmicas de escala são resultado dos ganhos de produtividade associados às inovações trazidas pelo aumento da produção. As economias dinâmicas surgem via processo de learning by doing (de aprender fazendo). Portanto, quanto mais a indústria intensifica seus processos, mais os trabalhadores se qualificam e mais produtivos eles serão", disse Silva.
Para o economista, um dos principais empecilhos para o PIM não crescer continuamente é o fato de que seus produtos não são essenciais e dependem muito da condição econômica do País. 
Reprodução: Diário do Amazonas

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