08/05/2017

Burocracia no Brasil trava o crescimento de muitas pequenas empresas inovadoras

Levantamento estima que um aumento de 50% na quantidade de pequenas e médias empresas em um período de cinco anos poderia gerar 5 milhões de postos de trabalho no País.

Os obstáculos em que as pequenas empresas esbarram são representativos de uma contradição brasileira: o País que tem a quarta maior taxa de empreendedorismo do mundo aparece na 123ª posição em um ranking de qualidade de ambiente de negócios. Segundo estudo inédito do Santander, essa condição é incongruente com uma economia que precisa desesperadamente gerar empregos e voltar a crescer.
O levantamento estima que um aumento de 50% na quantidade de pequenas e médias empresas em um período de 5 anos poderia gerar cinco milhões de postos de trabalho, entre diretos e indiretos, contribuindo para a redução da taxa de desemprego em 4,7 pontos percentuais. Mais impactante, porém, seria concentrar esforços nas empresas de alto crescimento como a Voopter, as chamadas scale-ups: dobrar seu número, dos 31 mil atuais, geraria 4 milhões de empregos entre diretos e indiretos, calcula o economista-chefe do banco, Maurício Molan.

"O problema é que o Brasil ainda tem um empreendedorismo que não é inovador. O empreendedorismo sobe quando a população não acha onde trabalhar. Os empreendedores têm a percepção de que não estão criando produtos inovadores. Só que o mundo está mudando, ficando menos intensivo em capital. Existe uma oportunidade para que esse crescimento aconteça", afirmou Molan.
Segundo Molan, em 2014 (último dado disponível) havia 31,2 mil empresas de alto crescimento no Brasil, cerca de 1,3% do total de empresas que possuem ao menos um empregado assalariado. Apesar de poucas, tais empresas são muito mais relevantes na contribuição para o emprego total no País (12,7%) e para a massa de rendimentos (11%). Para o economista, a agenda de reformas para promover esse empreendedorismo inovador passa pela redução da burocracia, simplificação das leis tributárias, redução da insegurança jurídica e melhoria da educação.
O governo diz estar concentrando esforços nisso. O ministério da Fazenda está colaborando com o Banco Mundial em um programa de reformas microeconômicas, segundo Mark Dutz, economista da instituição internacional. "Estamos discutindo medidas específicas, como a redução do tempo para abertura e fechamento de empresas, a revisão da lei de recuperação judicial, a facilitação do comércio exterior e a simplificação tributária', contou.
De acordo com Dutz, o estudo 'Doing Business' do Banco Mundial mostra forte correlação entre a posição no ranking e o desempenho das MPEs. Mas o Brasil figura mal nos rankings. Entre 190 países, ocupa a 123ª posição no 'Doing Business', atrás de México (47ª) e Ruanda (56ª). No critério de tempo para abrir um negócio, é o 175º colocado, com demora superior a 101 dias em São Paulo e 45 dias no Rio. Neste mês, a prefeitura paulista implementou um programa para reduzir o tempo para até uma semana, mas isso ainda não aparece na pesquisa. Na Nova Zelândia, obter um CNPJ demora 12 horas.

Reprodução: Diário do Amazonas

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