01/06/2017

Pará: Pesquisa aponta que Estado tem menos endividados

Mesmo com a crise, o número de famílias com dívidas no Estado caiu.

Mesmo em tempo de crise econômica e política no país, caiu o número de famílias que declararam ter alguma dívida em 2017. Segundo mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) - Pará, elaborada pela Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio), 40% das famílias declararam ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. Em março, esse patamar estava em 43,5%. Na comparação com abril de 2016 o decréscimo é mais significativo ainda, em abril do ano passado, 73,9% haviam declarado dívidas. 

Na opinião do economista Rosivaldo Batista, esse comportamento dos paraenses é visto como bom, já que uma das questões que mais incomodam hoje as pessoas são as dívidas. O economista destaca que é importante as pessoas organizem melhor suas vidas financeiras, direcionando qualquer recurso, como o do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) das contas inativas, para a quitação das dívidas, principalmente do cartão de crédito, que conta com juros de mais de 400% ao ano, e do cheque especial. 

"O crédito bancário no Brasil é um dos mais caros do mundo e o cartão de crédito e o cheque especial complicam muito o orçamento doméstico e a educação financeira passa por esse princípio de as pessoas administrarem bem suas dívidas", afirma.  

Para a educação financeira ser praticada, ele afirma que é necessário, primeiro, fazer o orçamento doméstico, listar as receitas e despesas mensais, no final do mês verificar se tem saldo ou déficit e identificar o problema que aponte o problema do endividamento. "Com isso, a pessoa tem que tomar consciência da situação, não fazer novas dívidas e consumir somente o necessário. Além de buscar quitar as dívidas e tentar negociá-las", explica Batista, que é professor da disciplina Mercado Financeiro e de Capitais.

PESQUISA

Ainda de acordo com a pesquisa, a queda na taxa de endividamento em abril de 40% com relação às taxas de abril de 2016 (73,9%) e de março de 2017 (43,5%), não significa melhoria nas condições da economia nem para os consumidores, pois esta redução demonstra recuo no consumo das famílias, com reflexos sobre as vendas, como comprovado pela Pesquisa Mensal do Comércio varejista (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que no primeiro bimestre deste ano já havia apresentado a redução  de - 10,4% no volume de vendas do varejo restrito e de - 7,4% na receita nominal de vendas.  "Assim como são evidências das dificuldades e insegurança do consumidor quanto à manutenção do emprego e da renda, e da desconfiança sobre melhorias no cenário econômico agravado pela crise política", aponta a pesquisa. 

A Peic observa também as dificuldades do consumidor quanto ao pagamento das dívidas, pois enquanto que em abril de 2016, 73,9% estavam endividados, destes 35,2% tinham contas em atraso e 8,5% informaram não ter condições de pagar a dívida, já em abril/ 2017, um percentual de endividados muito menor: 40%, mas os que estão com contas atrasadas são próximo do percentual total de endividados: 33,7% e o dobro dos que não terão condições de pagar no próximo mês: 16,9%, na comparação com ano passado que foi de 8,5%.  

O estudo revela que essa perspectiva negativa quanto às possibilidades de quitar as dívidas e/ ou de colocar em dia no próximo mês está relacionada à conjuntura atual, ao baixo nível de emprego e a queda na renda e da massa salarial das famílias, entre outros fatores.


Reprodução: O Liberal

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