12/09/2017

Pará: Cai o número de endividados em Belém, diz pesquisa

O indicador positivo está na contramão dos dados nacionais.

O último mês de agosto fechou com 151.457 famílias belenenses endividadas, o que corresponde a 38,6% da população. Esse é o menor percentual já registrado para o mês de agosto no Pará, desde 2010, quando a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) iniciou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). No mesmo período do ano passado, esse percentual alcançava 55,3% dos habitantes, totalizando 214.862 famílias. Já na comparação com o mês diretamente anterior, a pesquisa identificou um leve aumento no número de consumidores com algum tipo de dívida (3,2%). Em julho passado eram 146.792 famílias nessa situação (37,4%).

Dentre os que se declaram endividados (38,6%), 10,2% assumem que estão atolados em dívidas, sendo maior essa margem (10,6%) nas famílias com renda até dez salários mínimos. Outros 15,2% disseram está mais ou menos endividados e 12,6% um pouco. Mais do que indicar um maior controle das finanças por parte dos consumidores belenenses, os índices apontam que a economia paraense tem dado sinais mais positivos no enfrentamento à crise nacional. Prova disso, é que em todo o País o conjunto de famílias com dívidas alcançou a marca de 58% em agosto de 2017, o que representa alta em relação aos 57,1% observados em julho. Na comparação com o mesmo período do ano passado, no entanto, o índice permaneceu estável (59,1%). Ainda para efeito de comparação, os três Estados da região Sul possuem, atualmente, 82,9% da população endividada.

"O desemprego ainda elevado pode ajudar a explicar a maior dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Porém, apesar da queda das taxas de juros, a contratação de novos empréstimos e financiamentos pelas famílias tem se recuperado lentamente", pontua Marianne Hanson, economista da CNC.

O mesmo pode ser constatado quanto as famílias inadimplentes. No mês passado, foram contabilizadas em Belém 136.775 famílias com dívidas ou contas em atraso, 34,8% do total. Em agosto de 2016, eram 191.857 (49,4% do total). Na variação mensal também foi verificada uma ligeira alta: eram 131.610 famílias inadimplentes (33,5%). Já no País a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso, 24,6%, alcançou o maior patamar do ano em agosto de 2017. O mesmo ocorreu com o percentual de famílias que permaneceram inadimplentes, 10,1%, que alcançou o maior nível desde janeiro de 2010.

A parcela de famílias de Belém que disseram que não terão como pagar as dívidas e que, portanto, permanecerão inadimplentes também registrou queda ao longo dos últimos doze meses. Alcançou 20,5% em agosto de 2017 (80.612 famílias), ante 20,9% de julho passado e 15,9% de agosto de 2016. O tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas na capital paraense foi de 66,2 dias em agosto de 2017, acima dos 52,1 dias do mesmo mês de 2016. Em média, o comprometimento com as dívidas aumentou de 5,9 meses para 6,3, sendo que 28,9% das famílias possuem dívidas por mais de um ano (era 23,5%). Entre aquelas endividadas, apenas 2,0% afirmam ter mais da metade da sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas. Em agosto de 2016, era 4,1%.

Tipo das dívidas

Para 57,7% das famílias de Belém que possuem dívidas, o cartão de crédito permanece como o principal vilão, seguido dos carnês (39,3%) e, em terceiro, crédito pessoal (21%). Outro sinal de melhora na relação entre a renda e a dívida dos consumidores de Belém. Em agosto de 2016, o cartão de crédito respondia por 62,9% das dívidas das famílias, os carnês por uma parcela de 30,7%, o crédito pessoal por 19,7% e crédito consignado por 6,1%. 

Em todo o País, 76,4% das famílias que possuem dívidas, o cartão de crédito permanece como a principal forma de endividamento, seguido de carnês (15,8%) e crédito pessoal (10,6%). A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional) é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18.000 consumidores. O recorte regional, com informações de Belém, foi cedido, com exclusividade, a O LIBERAL.

Reprodução: ORM News

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